Na sexta-feira (8 mai 2026), a Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito para apurar possível falsidade ideológica envolvendo Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube. A apuração mira documentos que teriam acelerado processos internos.
O inquérito, conduzido pelo delegado Tiago Fernando Correia, do DPPC, tenta entender se documentos institucionais foram manipulados para favorecer a tramitação de mudanças no clube. A investigação partiu de uma representação da Comissão de Ética do São Paulo.
A peça central é um parecer de 17 de dezembro de 2025, assinado pelo presidente e pelo secretário do Conselho Consultivo, José Eduardo Mesquita Pimenta e Ives Gandra Martins. A suspeita é de que o texto tenha sido entregue pronto por Ayres apenas para assinatura, sem deliberação formal.
O inquérito não tem relação direta com ações investigadas pelo Ministério Público envolvendo a gestão de Julio Casares, segundo fontes ouvidas pela imprensa. A defesa de Ayres afirma estar disponível para esclarecimentos aos órgãos competentes.
Contexto do Procedimento
A investigação envolve a reforma estatutária iniciada por Julio Casares, que visava flexibilizar o quórum para a criação de uma SAF e separar atividades entre futebol e clube social. A Procuradoria apura se houve pressão para avançar o tema sem debate pleno.
A Comissão de Ética concluiu que houve indícios de irregularidades e encaminhou o material às autoridades, citando um e-mail de Ives Gandra Martins. Nele, o jurista admite que o relatório favorito à reforma se baseou em conversas isoladas.
O parecer aponta que a redação final pode ter sido elaborada por um advogado do clube, não pelos membros do conselho. Em abril, Ayres teria contestado pareceres contrários à reforma, alegando prazos não cumpridos.
A votação sobre eventual afastamento de Ayres pelo plenário do Conselho Deliberativo está marcada para a próxima terça-feira, com a expectativa de decisão sobre o afastamento preventivo.
Observação sobre o contexto
A apuração não se confunde com outras investigações da força-tarefa envolvendo possíveis irregularidades administrativas e financeiras na gestão de Casares. A defesa de Ayres mantém que os atos são públicos e institucionais.
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