A Copa do Mundo de 2026 terá 104 jogos disputados em estádios dos EUA, Canadá e México. Nos bastidores, a ciência do gramado é tratada como peça essencial para o desempenho das equipes e a segurança dos atletas. Pesquisadores trabalham há anos para aperfeiçoar cada detalhe.
O que motivou o esforço é a alta exigência de campo em diferentes climas e horários. Estudos mostram que pequenas variações na altura do corte podem mudar o piso de irregular para estável, influenciando o ritmo das partidas e a resistência a lesões.
O episódio de 2024 na Copa América, em Atlanta, é citado como exemplo de impacto do gramado. Um lance de Di María gerou críticas à superfície, que naquele estádio misturava grama natural com um piso temporário. As críticas aceleraram a busca por padrões mais consistentes.
A preparação envolve irrigação, adubação, testes de elasticidade e avaliações de tração. Em laboratórios de Knoxville, pesquisadores medem velocidade, quique e resposta dos jogadores a diferentes tipos de grama. O objetivo é evitar buracos e áreas saturadas.
A quitação dos detalhes fica a cargo de equipes ligadas à FIFA. John Sorochan, da Universidade do Tennessee, lidera o controle de crescimento e manutenção de gramados em 16 arenas, incluindo as que ficam sob domos. A meta é garantir luz suficiente e performance semelhante entre as pistas.
No planejamento, a geografia dos estádios impõe desafios. Grama bermuda, em regiões quentes, e misturas de Kentucky bluegrass com azevém perene, em climas frios, compõem a estratégia. Em campos cobertos, fibras plásticas reforçam a resistência da grama natural.
A logística é complexa: centenas de hectares de grama são cultivados em fazendas, desdobrados em painéis e transportados em veículos refrigerados. Em estádios com cobertura, luzes de LED retráteis alimentam o crescimento contínuo da grama durante as semanas pré-jogo.
Desafios e soluções
A Fifa já investiu mais de US$ 5 milhões em pesquisas e protótipos, buscando padrões que reduzam a variação entre estádios. Técnicos da Universidade do Estado de Michigan contribuíram para a montagem de estufas e plataformas que simulam as condições de arenas com ou sem luz natural.
Essa abordagem visa padronizar a experiência de jogo, reduzir lesões e manter a dinâmica de passes rápidos. A expectativa é que as inovações já empregadas em 2025, na Copa do Mundo de Clubes, se traduzam em melhorias para 2026.
A equipe responsável pela gramada, que inclui Sorochan e Trey Rogers, ressalta que cada campo terá características próprias, mas com margens de uniformidade mínimas. O objetivo é oferecer condições estáveis e previsíveis aos atletas que disputam o torneio.
A Copa do Mundo 2026, programada de 11 de junho a 19 de julho, depende de gramados que aguentem 22 jogadores em campo por mais de 90 minutos. A preparação envolve desde genética da grama até a logística de transporte e instalação.
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