O debate sobre a criação de uma liga única no Brasil ganhou novo impulso ao discutir os horários do Brasileirão e seu efeito nas receitas. A CBF sustenta que jogos noturnos reduzem a presença de público. Em contrapartida, um levantamento com dados do torneio do ano passado aponta queda de público como efeito direto relativamente pequena frente à situação econômica dos clubes da Série A.
O estudo foi apresentado aos clubes e comparou ocupação de estádios e público segundo o horário de início. Domingos às 16h tiveram 70% de ocupação, com média de 32,6 mil torcedores. Às 17h30, 67% e 32 mil. Às 18h30, 63% e 28,4 mil. Às 20h30, 55% e 24,6 mil.
A diferença entre 18h30 e 20h30 é de cerca de 3,8 mil torcedores por jogo. Mesmo assim, a análise estima menor impacto financeiro direto, usando ticket médio de R$ 51. Com cinco partidas como mandante aos domingos à noite, a perda seria de cerca de R$ 195 mil na temporada.
Quinze de vinte times tiveram menos de dois mandantes aos domingos às 20h30; quatro não tiveram nenhuma partida nesse horário. Cinco clubes tiveram apenas uma, três tiveram duas, duas tiveram três, uma teve quatro e cinco clubes tiveram cinco jogos nesse horário. Esses números destacam que o horário isolado não explica tudo.
Dados e comparação internacional
O estudo aponta concentração de partidas noturnas no Brasileirão, com cerca de 80% jogadas à noite, diante de 60% na Espanha, 30% na Alemanha e 25% na Inglaterra. Representantes da CBF visitaram ligas da Europa e observaram maior prioridade a horários da tarde nos fins de semana.
Desafios de organização da liga única
A discussão envolve ainda a construção de uma grade que distribua jogos ao longo da semana, levando em conta intervalos entre partidas, segurança, descanso de jogadores e interesses de transmissões. A divisão de direitos entre Libra e FFU trouxe maior variedade de janelas de transmissão, com contratos históricos que somam bilhões de reais.
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