O Mundial de 2026 chega com o contexto político interferindo no esporte no Irã. A estreia Irã x Nova Zelândia terminou 2 a 2, em jogo disputado no México, com a equipe viajando entre países para as próximas partidas. O cenário combina esportes, identidades nacionais e tensões políticas.
Acompanhando a equipe, atletas como Hadi Tiranvalipour expressaram críticas ao deslocamento entre México e EUA antes das partidas. Ele deixou o Irã em 2022 e hoje compete pela equipe de refugiados, após uma carreira que incluiu liderança na equipe nacional iraniana.
Tiranvalipour relata que, antes, o regime fechou portas para ele após manifestações públicas sobre direitos das mulheres e da população. Mesmo assim, o atleta continuou a perseguir seus objetivos esportivos, hoje representando a equipe de refugiados com apoio da Itália.
O tema do esporte no Irã sempre esteve ligado à política, com momentos de orgulho e de ruptura. Em 1998, jogadores iranianos ofereceram rosas brancas aos adversários dos EUA, mas há casos de atletas que emigraram para buscar espaço internacional.
Casos de destaque ajudam a entender o fenômeno: a taekwondista Kimia Alizadeh deixou o país em 2020; a atleta de esgrima e outros atletas também buscaram asilo. Estudos indicam dezenas de atletas de alto nível que migraram entre 1979 e 2024.
Figuras como Katayoun Khosrowyar ajudaram a abrir espaço para o futebol feminino no Irã, atuando como jogadora e depois como técnica. Ela descreve as lutas para manter o esporte feminino vivo diante de resistência institucional e de tensões entre países.
A prática esportiva no Irã se conecta a movimentos sociais, como a onda de protestos de 2022. Em 2022, a participação de atletas em defesa de direitos elevou a visibilidade das pautas femininas, com impactos na modalidade e no reconhecimento internacional.
Especialistas apontam que o chamado “muscle drain” envolve fatores políticos, econômicos e culturais. Sanções, conflitos e dificuldades de infraestrutura esportiva aparecem como entraves ao desenvolvimento local, agravados pelo atual cenário de guerra.
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