Os laços entre Brasil e Haiti ganham contorno na Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá. O duelo entre Brasil e Haiti ocorre nesta sexta-feira (19/06), na segunda rodada, e carrega uma trajetória que vai além do futebol. A relação entre os dois países cresceu a partir de ações humanitárias e migratórias iniciadas após o terremoto de 2010.
Ao longo de duas décadas, projetos sociais e ações de cooperação deram origem a vínculos que também chegam aos gramados. O Pérolas Negras, criado pela ONG Viva Rio, reuniu jovens haitianos em programas no Haiti e no Brasil, abrindo caminhos para o futebol como ponte entre as comunidades. Várias crianças e adolescentes passaram pelo projeto.
Quatro jogadores haitianos convocados para a Copa participaram do Pérolas Negras: Danley Jean Jacques, que atua no Philadelphia Union, Josué Duverger, Carlen Arcus e Derrick Etienne. Eles integram a seleção que enfrentará o Brasil, sob a orientação de técnicos e com apoio de uma rede de clubes e treinadores formados no Brasil.
O envolvimento brasileiro remonta à presença da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) e aos esforços de reconstrução após o abalo de 2010. A relação se consolidou por meio de cooperação humanitária, políticas migratórias e iniciativas culturais ligadas ao futebol.
Legado e impacto
Para pesquisadores, o futebol funciona como símbolo de uma relação histórica entre os dois países, marcada pela cooperação e por fluxos migratórios. A presença haitiana no Brasil se tornou uma das maiores ondas migratórias da década, sempre permeada por ganhos, mas também por desafios de integração e discriminação.
O centro de treinamento mantido no Haiti, que ergueu-se a partir do trabalho de rua do Pérolas Negras, permanece ativo, apesar de dificuldades. A infraestrutura enfrenta limitações, mas a memória do programa influencia o ambiente esportivo local e reforça vínculos entre comunidades.
Segundo especialistas, as raízes do atual cenário haitiano passam por instituições frágeis, governança e desigualdade. A atuação da Minustah é tema de debate entre estudiosos, com avanços e carências ainda presentes no país. A relação Brasil-Haiti, no entanto, permanece marcada pela cooperação e pelo intercâmbio.
Para o observador Kai Michael Kenkel, a relação vai além do feito esportivo. A participação de atletas haitianos no Brasil, após a crise, ampliou vínculos sociais, acadêmicos e laborais, fortalecendo a presença do Haiti no cenário brasileiro.
O confronto desta sexta-feira representa, portanto, mais do que um jogo. Ele sintetiza uma trajetória de cooperação, solidariedade e intercâmbio que começou há anos e que continua moldando identidades, oportunidades e histórias para ambos os lados.
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