Desde a Copa do Mundo de 2022, jogadores passaram a exibir meiões rasgados durante partidas, gerando curiosidade sobre a função desses cortes na panturrilha. As imagens repercutiram nas redes sociais, provocando perguntas sobre o objetivo da prática.
Especialistas apontam que a principal hipótese envolve a compressão gerada pelo tecido sobre a musculatura da panturrilha. Desconforto nessa região durante treinos e jogos levou alguns atletas a reduzir a pressão com pequenos cortes nos meiões.
A panturrilha é exigida em arrancadas, mudanças de direção e saltos, o que eleva o risco de fragilização muscular ao longo dos 90 minutos. Meiões mais elásticos podem intensificar a sensação de aperto em quem tem maior volume muscular.
Segundo o fisioterapeuta Diego Galace de Freitas, não há evidências científicas robustas de que rasgar meiões melhore desempenho ou previna lesões. Ele ressalta que a prática depende da percepção individual dos atletas.
Ainda assim, a explicação fisiológica faz sentido: reduzir a compressão pode diferir na sensação de conforto durante a atividade física. Em alguns casos, isso pode atenuar desconfortos do esforço repetitivo na região.
Por outro lado, rasgar os meiões não elimina o risco de lesões nem substitui estratégias de prevenção, como fortalecimento muscular, controle de carga e recuperação adequada.
A origem da moda
Um dos primeiros a popularizar a prática foi Gareth Bale, pela época no Real Madrid. Cortes na região da panturrilha ampliaram a visibilidade do gesto entre atletas de alto rendimento.
Especialistas destacam que o efeito pode ter mais componente psicológico do que clínico, já que Bale seguiu com problemas musculares em diferentes fases da carreira. A relação entre conforto e lesões permanece ambígua.
Em síntese, a prática é vista como adaptação individual para sensação de maior conforto, sem evidência de benefício mensurável em desempenho ou prevenção de lesões.
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