O goleiro argelino Luca Zidane vive uma fase difícil no Mundial, com cinco gols vazados em dois jogos. Desses,
dois foram decisivos: um de Lionel Messi e outro de Nizar al-Rashdan, do Jordão, que passou entre as mãos dele.
A performance de Zidane não é única. Édouard Mendy, do Senegal, e Ahmed Basil, do Iraque, também tiveram dificuldades para segurar chutes potentes. A qualidade das defesas vem sendo posta à prova.
De olho no problema, o ex-árbitro Joe Hart destacou, em entrevistas, que a velocidade da bola pode superar a percepção dos goleiros. Ele sinalizou que a leitura de trajetórias costuma atrasar o reflexo.
Estudo explica o que acontece
Pesquisadores sul-coreanos e japoneses analisaram, em túnel de vento, a bola Adidas Trionda. Em seis ângulos de lançamento, o estudo mostra que, a partir de certa velocidade, a bola tende a acelerarem seus deslocamentos.
O fenômeno, chamado de drag crisis, ocorre quando o fluxo de ar em torno da bola muda de laminar para turbulento, reduzindo o arrasto e permitindo maior velocidade. O desenho com costuras facilita esse efeito.
A pesquisa aponta ainda que o impacto depende de onde a bola é atingida (costura ou painel) e da altitude. De modo geral, a crise de arrasto pode ocorrer em velocidades mais baixas, com variações no trajeto.
Contexto técnico e regulatório
A Adidas descreveu o Trionda como sujeito a mais de 300 testes laboratoriais, buscando trajetória mais previsível. Ainda assim, especialistas destacam que efeitos aerodinâmicos podem surpreender goleiros durante a competição.
A mudança no design da bola, com menos painéis, é parte de inovações do Mundial. A expectativa é que o entendimento sobre a trajetória ajude equipes a ajustar posicionamento e leitura de chutes.
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