O Japão desponta como referência na maratona masculina em 2026. O país conta com 28 atletas no Top 200 mundial e 81 no Top 500, segundo a liga mundial da temporada. O destaque é Suguru Osako, que venceu em Tóquio com 2:05:59, menor tempo que o recorde anterior do japonês na distância (2:04:55, em Valência, há quase três meses).
Entre os brasileiros, o panorama é bem diferente. O melhor brasileiro do ano até agora é Johnatas de Oliveira, em 541º lugar, com 2:12:10 em Sevilha, em fevereiro. Em contrapartida, Daniel do Nascimento, conhecido como Danielzinho, ficou à frente de Osako em uma ocasião histórica, ao vencer uma prova com tempo próximo a 2:04:51 em Seul, em 2022, recorde que ainda não foi superado por seus compatriotas.
Para entender o diferencial japonês, o treinador Wanderlei Oliveira, conhecido no meio, aponta disciplina, companheirismo e alto volume de treino como pilares. Segundo ele, a tradição remonta a hábitos que vieram de corridas de fundo no Japão, incluindo o ekiden, que molda uma cultura de participação em múltiplas maratonas ao longo do ano.
A prática contínua de maratonas pesadas é ilustrada pela trajetória de Kawauchi, o “corredor cidadão” que, em 2018, venceu Boston sob chuva e vento com 2:15:58, conciliando a carreira de administrador de escola com o esporte. Em 2023, ele tornou-se o primeiro homem a completar 100 maratonas abaixo de 2:20, mantendo marcas expressivas. Em 2026, Kawauchi registrou 2:14:30 em Osaka, reforçando o conceito de dedicação contínua.
Errata: a coluna mencionou incorretamente que Johnatas Cruz era patrocinado pela New Balance; na verdade, ele atua com a Asics, outra fornecedora japonesa.
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