A seleção brasileira enfrenta o Japão na Copa do Mundo desta semana, em um duelo que carrega uma história de influência mútua que atravessa décadas. O Japão se firmou como uma potência do futebol e, ao longo dos anos, contou com a presença de jogadores, treinadores e dirigentes brasileiros para evoluir. Hoje, o país asiático chega à partida com a postura de quem consegue competir no mais alto nível, segundo especialistas ouvidos pela imprensa.
Para Zico, uma das principais referências brasileiras na transformação do futebol japonês, o confronto exige cuidado com a velocidade e a movimentação dos adversários. O antigo camisa 10 ressaltou a necessidade de atenção aos movimentos japoneses, em entrevista a um podcast. Em analogia comum no meio esportivo, Tiago Bontempo descreve a relação Brasil-Japão como professor e aluno, destacando a Copa de 1970 como marco de aproximação entre gerações.
Influência brasileira
Antes de Zico e de nomes como Toninho Cerezo, Nelson Yoshimura abriu caminho no Japão, atuando na década de 1960. Descendente de japoneses, Yoshimura se naturalizou e chegou a defender a seleção do país. Segundo o jornalista, esse pioneirismo incentivou outros clubes a contratar brasileiros. Nos anos 1980, surgiram jogadores nikkeis e, depois, brasileiros sem ascendência japonesa, como Ruy Ramos, que naturalizado japonês tornou-se figura central, ao lado de Kazuyoshi Miura, o Kazu.
A virada estrutural veio com a criação da J.League, em 1991. A liga profissional transferiu o futebol japonês de um modelo amador para um produto voltado ao público, com investimento em clubes, torcidas e formação de atletas. O projeto contou com a contratação de jogadores de renome internacional e estratégias de divulgação para ampliar o alcance do campeonato.
A era da J.League
Zico foi protagonista ao chegar ao Kashima Antlers, time originário do Sumitomo. Sua contribuição ajudou a estruturar o clube que, anos depois, venceria o título japonês pela primeira vez em 1996. Em 1993, na abertura da J.League, Zico marcou três gols em triunfo sobre o Nagoya Grampus, impulsionando a visibilidade da competição. O ex-jogador permaneceu no Kashima como diretor técnico após a aposentadoria.
Para especialistas, Zico deixou legado técnico e institucional no futebol japonês, incluindo práticas de treinamento e organização do vestiário. O documentarista João Weiner descreve o contexto de respeito que ele ganhou no Japão, onde é visto quase como uma divindade do futebol. A imagem de Zico permanece como referência histórica para fãs e profissionais do esporte no país.
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