O tema de disputas de pênalti em Copas do Mundo ganha relevância à medida que as fases eliminatórias se aproximam, com execuções decisivas em momentos de pressão. Dados estatísticos e pesquisas analisam quais estratégias elevam as chances de marcação, tanto em tiros de pênalti isolados quanto em quem começa a cobrança.
A final da Copa do Mundo de 2022, entre Argentina e França, terminou empatada em 3 a 3 no tempo regulamentar e prorrogações, sendo decidida nos pênaltis. A Argentina venceu por 4 a 2 na série decisiva, destacando a importância de estratégias eficientes nesses momentos.
Além do contexto da decisão, estudos mostram que até um único pênalti pode alterar o resultado de uma partida em Mundiais, tornando crucial qualquer vantagem nas cobranças. A seguir, síntese das evidências disponíveis sobre as melhores abordagens.
Vantagem de iniciar a cobrança ou ganhar o sorteio
Convencer o lançamento do chute inicial pode ser determinante. Pesquisas sobre pênaltis em Copas, Eurocopa e copas nacionais entre 1970 e 2003 indicam que a equipe que abre a cobrança vence cerca de 60,5% das vezes. Com a mudança de regra após 2003, a vitória no sorteio ganha mais peso, com aproximadamente 60% dos times que venceram o sorteio levando a melhor, contra 51% de quem começa chutando.
Importância de uma boa corrida de aproximação
Estudos de grande amostra, com mais de 1.700 cobranças entre 2015 e 2019, analisaram técnicas e fatores que influenciam o sucesso. Observou-se variação entre ligas: na Premier League, tiros pelo meio tinham boa eficácia; na La Liga, o alvo costuma ficar nos cantos inferiores. Corridas longas (mais de seis passos) mostraram relação positiva com acerto em todos os campeonatos, enquanto corridas curtas não apresentaram vantagem consistente.
Força versus colocação
Pesquisas indicam que chutes com menos força tendem a ser defendidos com maior facilidade, enquanto tiros muito fortes podem perder precisão. O ponto ideal costuma ficar no meio-termo, em torno de 75% da força máxima. Em estudos recentes, ações de chute com o interior do pé costumam ser classificadas como colocação, enquanto o dorso do pé caracteriza potência. A eficácia varia conforme a liga: colocação tem bom desempenho na Premier League e na Serie A, força em La Liga e Bundesliga.
Posição do chute e decisões do goleiro
Diversos trabalhos analisaram a direção do chute dentro do gol. Em geral, chutes para a parte superior do gol são difíceis de defender, mas com maior probabilidade de errar o alvo. A tendência de golos altos, porém, ainda ocorre com menor frequência. No funcionamento prático, muitos cobradores escolhem o centro, visando reduzir o risco de defesa, ainda que a estratégia dependa da liga. Em partidas recentes, houve menos tentativas para o alto do gol.
Comportamento do guardião e imprevisibilidade
Observa-se que goleiros costumam mergulhar para os lados, ainda que entre 20% e 30% dos chutes sejam para o meio. Estudos sugerem um viés de ação, com goleiros buscando demonstrar defesa, mesmo quando a direção está errada. Diante disso, uma das estratégias recomendadas é manter a imprevisibilidade do cobrador, variando abordagens ao longo dos torneios para dificultar a leitura do oponente.
Conclusão
As evidências apontam que não existe uma fórmula única para o sucesso em pênaltis. A vitória pode depender tanto da coragem de iniciar quanto das escolhas de posição e da imprevisibilidade. Técnicas, corridas e leitura de oponentes variam por país e competição, reforçando a necessidade de adaptação tática conforme o contexto.
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