Houve um alvoroço em Dhaka, capital de Bangladesh, no 17 de junho, quando Lionel Messi marcou seu primeiro gol na Copa do Mundo de 2026. A festa ocorreu em frente a grandes telões, com torcedores locais vestindo camisas da Argentina e vibrando pela performance do astro. No entanto, não havia apenas argentinos na multidão.
Os fãs aproveitaram a transmissão ao vivo para acompanhar o jogo, em festas abertas pela cidade. Em outras cidades da região, como algumas no sul da Ásia, também houve manifestações de apoio a seleções favoritas, com cenas semelhantes de celebração coletiva.
O que os dados revelam sobre o futebol e a população
Especialistas destacam que o tamanho da população não determina o sucesso no futebol. Entre os países mais populosos, apenas Estados Unidos e Brasil disputaram a Copa de 2026, com outras nações grandes ausentes ou apenas com participações esporádicas.
Análises de Stefan Szymanski apontam que riqueza e infraestrutura pesam tanto quanto talento. Segundo o economista, é preciso ter capital, instalações de treinamento e histórico de competição para gerar resultados consistentes.
Fatores históricos e técnicos
A pesquisa de Szymanski e Simon Kuper sugere que uma renda média per capita de aproximadamente US$ 15 mil costuma acompanhar avanços relevantes no futebol. Países com maior experiência costumam ter vantagem histórica, adquirida ao longo de décadas.
Essa tradição envolve não apenas investimento financeiro, mas também o conhecimento técnico acumulado, herdado de gerações que disputaram muitas partidas em contextos competitivos. Países com essa base tendem a figurar entre os mais bem-sucedidos da disputa.
Exemplos de realidades distintas
O Uruguai, com 3,5 milhões de habitantes, venceu duas Copas do Mundo, mostrando que tamanho populacional não é determinante. Por outro lado, nações da África e da Ásia, que enfrentam limitações de recursos, costumam ter menos participação no torneio.
A Etiópia, por exemplo, jamais se classificou para a Copa do Mundo. A liga nacional sofre subinvestimento e o país disputou jogos de eliminatórias em condições desvantajosas, com apenas três estádios homologados em uma temporada.
Críticas e cenários no sul da Ásia
No sul da Ásia, a popularidade do críquete é apontada por alguns como fator que dificulta o desenvolvimento do futebol. A indústria do críquete, de alta renda, atrai investimentos e atenção de famílias, o que pode limitar o foco no futebol.
Apesar disso, há exemplos de nações que avançam no futebol, mesmo com forte tradição esportiva em outras modalidades. Países como Austrália e Nova Zelândia evoluíram no futebol e participam de Copas regularmente.
China e Indonésia sob o prisma esportivo
A China, apesar de grande investimento na última década, não volta à Copa desde 2002, com críticas sobre interferência estatal e falta de autonomia na gestão do futebol. A Indonésia participou da Copa de 1938 como Índias Orientais Holandesas e, recentemente, chegou à fase final de qualificação, apesar de depender de jogadores com ascendência europeia para compor times nacionais.
Conclusões provisórias
Parte da análise aponta que o futebol requer não apenas talentos, mas uma combinação de renda, infraestrutura e experiência. A valorização de um esporte não elimina as dificuldades regionais, que variam conforme o contexto histórico, político e econômico de cada país. Os torcedores, por sua vez, seguem celebrando o futebol como celebração cultural, independentemente da participação nas Copas.
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