A Uefa anunciou nesta quinta-feira que boicotará a Copa do Mundo caso a Fifa avance com o plano de permitir a entrada de investidores privados em uma empresa responsável por administrar suas principais competições. Segundo a entidade que comanda o futebol europeu, nenhuma de suas seleções participará de competições organizadas pela Fifa enquanto a proposta […]
A Uefa anunciou nesta quinta-feira que boicotará a Copa do Mundo caso a Fifa avance com o plano de permitir a entrada de investidores privados em uma empresa responsável por administrar suas principais competições.
Segundo a entidade que comanda o futebol europeu, nenhuma de suas seleções participará de competições organizadas pela Fifa enquanto a proposta continuar em discussão. Para suspender a ameaça, a Uefa exige o abandono integral do projeto e garantias vinculantes de que a governança e os torneios da Fifa não serão abertos à propriedade privada.
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Projeto pode movimentar até US$ 4,2 bilhões
A Fifa anunciou na terça-feira (28) a intenção de criar uma subsidiária comercial para administrar eventos como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes. Investidores poderiam adquirir participações na empresa, mas permaneceriam como acionistas minoritários.
Com a iniciativa FIFA Forward Enterprise, conhecida pela sigla FFE, a entidade pretende arrecadar até US$ 4,2 bilhões, com base em uma avaliação de US$ 20 bilhões para a nova companhia.
Caso o projeto seja aprovado, cada uma das 211 associações filiadas à Fifa poderá receber um pagamento único de US$ 20 milhões no início de 2027. O financiamento destinado a cada federação no ciclo entre 2027 e 2030 também aumentaria de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, classificou a iniciativa como uma oportunidade para acelerar o desenvolvimento do futebol em todo o mundo.
A proposta, porém, recebeu críticas da Uefa, de importantes federações europeias e de representantes da União Europeia. Os opositores consideram o projeto mais uma etapa da comercialização do esporte e alertam para possíveis conflitos de interesse.
A Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol também manifestaram preocupação porque o plano foi apresentado publicamente antes de uma consulta completa às 211 associações filiadas. A Confederação Africana de Futebol pediu que seus membros analisem a proposta.
Uefa critica falta de consulta
Em comunicado, a Uefa afirmou que a Copa do Mundo é um dos maiores legados esportivos do futebol e foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções e torcedores de todos os continentes.
A entidade considerou irresponsável que uma proposta de tamanha importância tenha sido elaborada em segredo e levada para perto da aprovação sem uma consulta significativa aos responsáveis pela condução do esporte.
Para a Uefa, o episódio representa uma falha de liderança e um abandono do dever da Fifa como responsável pela preservação do futebol mundial. A entidade também afirmou que as associações nacionais foram colocadas diante de um ultimato entre aceitar a entrega das principais competições a interesses privados ou enfrentar as consequências.
A Uefa declarou que combaterá o projeto ao lado de suas federações nacionais e encerrou o comunicado com uma defesa da preservação da Copa do Mundo.
“A Copa do Mundo pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E, enquanto a Europa tiver voz, ela nunca estará à venda.”
*Com informações da AFP
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