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Como foi a passagem de Memphis Depay pelo Corinthians

Holandês chegou com o clube no Z-4, conquistou três títulos e deixa o Timão com identificação que ultrapassou o campo

Memphis com o troféu da Supercopa do Brasil. (Foto: Rodrigo Coca / Corinthians)

A passagem de Memphis Depay pelo Corinthians começou em meio ao risco de rebaixamento e termina, quase dois anos depois, com três títulos na bagagem. Nesta terça-feira (11), o clube anunciou que não renovará o contrato do atacante por motivos financeiros, encerrando uma trajetória que misturou gols decisivos, conquistas, polêmicas e uma conexão rápida com […]

A passagem de Memphis Depay pelo Corinthians começou em meio ao risco de rebaixamento e termina, quase dois anos depois, com três títulos na bagagem.

Nesta terça-feira (11), o clube anunciou que não renovará o contrato do atacante por motivos financeiros, encerrando uma trajetória que misturou gols decisivos, conquistas, polêmicas e uma conexão rápida com a torcida e com a cultura de São Paulo.

Memphis deixa o Timão depois de 79 partidas, 20 gols e 15 assistências. Foi campeão paulista e da Copa do Brasil em 2025 e levantou a Supercopa Rei em 2026.

A história, porém, começou em um cenário muito diferente daquele das festas com troféus.

Corinthians no Z-4

Quando chegou, o Corinthians tinha apenas 25 pontos em 25 rodadas e ocupava a 17ª posição do Campeonato Brasileiro. O próprio contrato do holandês previa a possibilidade de rescisão caso o clube fosse rebaixado.

A estreia aconteceu em 21 de setembro, diante justamente do Atlético-GO, adversário direto na luta contra a queda. Memphis entrou no segundo tempo da vitória por 3 a 0, resultado que levou o Corinthians aos 28 pontos, ainda na 17ª colocação.

Memphis após marcar contra o Athletico-PR. (Foto: Rodrigo Coca/Corinthians)

O primeiro gol veio menos de um mês depois. Contra o Athletico-PR, Memphis cobrou uma falta no ângulo e marcou na vitória por 5 a 2 em outro confronto direto na parte de baixo da tabela.

De candidato ao rebaixamento a nove vitórias seguidas

Memphis não salvou o Corinthians sozinho. A reação passou pelo trabalho de Ramón Díaz, pela recuperação de Yuri Alberto, pelo crescimento de Rodrigo Garro e pelos reforços contratados durante a temporada. Mas o holandês rapidamente virou uma das peças centrais desse time.

A partir do 5 a 2 sobre o Athletico-PR, o Corinthians derrotou Cuiabá, Palmeiras, Vitória, Cruzeiro, Vasco, Criciúma, Bahia e Grêmio. Foram nove vitórias consecutivas, igualando o recorde da era dos pontos corridos naquele momento.

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Memphis comemorando gol contra o Vitória em 2024. (Foto: Rodrigo Coca/Corinthians)

O Corinthians, que havia passado meses ameaçado pelo rebaixamento, terminou o Brasileiro na sétima posição e garantiu vaga na Libertadores.

Em poucos meses, a contratação que parecia uma aposta de impacto comercial também havia dado uma resposta esportiva.

Primeiro título

Na final contra o Palmeiras, o holandês deu a assistência para Yuri Alberto marcar o único gol da partida de ida, no Allianz Parque.

O resultado colocou o Corinthians em vantagem antes da decisão em Itaquera. Memphis terminaria a competição como o principal garçom corintiano, com cinco assistências.

Na volta, não fez gol nem deu assistência. Ainda assim, protagonizou a imagem mais lembrada daquele título.

Memphis em cima da bola na final contra o Palmeiras. (Foto: Instagram/@memphisdepay)

Nos minutos finais do empate por 0 a 0, Memphis colocou o pé sobre a bola próximo à lateral e permaneceu em cima dela para gastar tempo e provocar os jogadores palmeirenses.

O gesto desencadeou uma confusão entre as equipes e posteriormente virou até tatuagem na coxa do atacante.

Pouco depois, o Corinthians confirmou o título e encerrou um jejum de seis anos sem levantar uma taça.

Memphis e Palmeiras se encontrariam novamente

Nas oitavas de final da Copa do Brasil, Memphis marcou de cabeça o gol da vitória por 1 a 0 no primeiro Dérbi. Foi seu primeiro gol contra um rival paulista com a camisa corintiana.

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Memphis após marcar contra o Palmeiras pela Copa do Brasil (Foto: Rodrigo Coca/Corinthians)

O Corinthians avançaria naquele mata-mata e seguiria até a decisão.

A final contra o Vasco terminou sem gols em Itaquera, deixando o título para ser definido no Maracanã.

Na volta, Yuri Alberto abriu o placar, Nuno Moreira empatou e Memphis fez o gol que decidiu a Copa do Brasil.

Memphis segurando a taça da Copa do Brasil. (Foto: Instagram/@memphisdepay)

O Corinthians venceu por 2 a 1 e conquistou o tetracampeonato.

Em dezembro de 2025, o jogador que havia chegado para uma equipe ameaçada pelo rebaixamento terminava sua primeira temporada completa com Paulista e Copa do Brasil.

Supercopa completa a trinca

Campeão da Copa do Brasil, o Corinthians enfrentou o Flamengo, vencedor do Brasileirão, pela Supercopa Rei.

No Mané Garrincha, o Timão venceu por 2 a 0, com gols de Gabriel Paulista e Yuri Alberto, e levantou a competição pela primeira vez desde 1991.

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Memphis e Breno Bidon. (Foto: Gustavo Vasco/Corinthians)

Em menos de 11 meses, o Corinthians havia levantado três taças com o holandês no elenco.

A identificação também aconteceu fora do campo

Ainda no fim de 2024, Memphis se aproximou de MC Hariel, conhecido torcedor corintiano.

Os dois viajaram para Gana, país de origem da família paterna do atacante, onde gravaram parte de um projeto musical e visitaram uma comunidade na qual a fundação do jogador mantém ações sociais.

Memphis e Hariel. (Foto: Instagram/@mchariel)

Em fevereiro de 2025, lançaram juntos o EP “Falando com as Favelas”, com quatro músicas.

O Corinthians entrou diretamente no projeto: a faixa “Peita do Coringão”, feita com Hariel e MC Marks, traz referências ao clube, enquanto Memphis aparece com uma bandeira alvinegra no videoclipe da faixa que dá nome ao trabalho.

Os troféus foram o Campeonato Paulista de 2025, a Copa do Brasil de 2025 e a Supercopa Rei de 2026.

Os números, isoladamente, talvez não expliquem completamente o tamanho da passagem. Memphis não chegou perto de permanecer no Corinthians durante uma década, nem acumulou centenas de partidas.

Foram menos de dois anos.

Nesse período, porém, desembarcou em um clube na zona de rebaixamento, participou de uma sequência histórica de nove vitórias, ajudou a encerrar seis anos sem títulos, decidiu uma Copa do Brasil no Maracanã e se transformou em personagem de uma cultura que, meses antes de sua chegada, conhecia apenas à distância.

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