A primeira convocação da Seleção Brasileira após a Copa do Mundo de 2026 abriu espaço para novos nomes. Dos 26 jogadores chamados por Carlo Ancelotti nesta quarta-feira (9), oito nunca haviam sido convocados para a equipe principal: Pedro Morisco, Otávio, Arthur Dias, Jair Cunha, Matheuzinho, Mauro Júnior, Breno Bidon e Gabriel Bontempo.
Essa lista inicia o trabalho para o próximo ciclo para a Copa do Mundo. Ancelotti afirmou que pretende priorizar jogadores jovens e formar um novo grupo nos próximos anos. Antes da apresentação dos estreantes, o Portal Tela reuniu curiosidades sobre a trajetória de cada uma das novidades.
Arthur Dias esteve em uma lista de dispensa antes de virar zagueiro
A história de Arthur Dias no Athletico quase terminou antes mesmo de começar no futebol profissional. O jogador chegou ao CT do Caju em 2022 como atacante, mas não convencia na posição e teve o nome colocado em uma lista de atletas que seriam dispensados pelo clube.
Foi o então treinador das categorias de base Rodrigo Bellão quem interferiu no caminho do garoto. Em entrevista ao ge, Bellão disse ter enxergado características para que Arthur atuasse na defesa e convenceu o Athletico a mantê-lo. A ideia não agradou ao jogador inicialmente, mas a mudança foi a melhor coisa que aconteceu para o garoto.
A primeira partida como profissional, porém, trouxe outro momento difícil. Em julho de 2025, Arthur entrou durante o empate por 2 a 2 com o América-MG, pela Série B, e cometeu o pênalti que originou o segundo gol da equipe mineira. O defensor contou que ficou muito abalado e, depois de um treinamento, sentou no gramado e começou a chorar.
Odair Hellmann conversou com o jovem e reforçou que confiava em seu potencial. Arthur recuperou espaço, ganhou uma oportunidade como titular e passou a se firmar na equipe.
Pouco mais de um ano depois daquela estreia, tudo mudou. O Tottenham apresentou uma proposta de € 21 milhões por 80% dos direitos econômicos do zagueiro durante a última janela. O Athletico recusou a oferta e passou a pedir cerca de € 30 milhões (cerca de R$ 178 milhões) para negociar o jogador. Aos 19 anos, Arthur agora se valoriza ainda mais com sua primeira convocação para a Seleção principal.
Otávio foi obrigado pela mãe a ser goleiro
Antes de chegar ao gol do Cruzeiro e à Seleção, Otávio jogava na linha. E a mudança de posição esteve longe de ser uma decisão natural do garoto.
Quando ainda jogava em uma escolinha em Perdigão, Minas Gerais, o pai e o irmão eram contrários à ideia de vê-lo como goleiro. Otávio também não queria jogar na posição. Quem insistiu foi a mãe, Mariza.
Ao ge, ela disse que reparava que o filho gostava de se jogar no chão durante as brincadeiras e pediu ao treinador da escolinha que lhe desse uma oportunidade no gol. Otávio foi bem logo no primeiro jogo e acabou permanecendo debaixo das traves.
O goleiro chegou ao Cruzeiro em 2015, e percorreu as categorias de base até ganhar espaço entre os profissionais. Mais de uma década depois da decisão da mãe, recebeu aos 20 anos a primeira oportunidade com a amarelinha.
Pedro Morisco começou como zagueiro e admite que era “muito ruim”
Pedro Morisco, de 22 anos, também precisou trocar de posição antes de encontrar seu lugar no futebol. Filho de Ramir, que atuou como zagueiro em clubes paranaenses, o atual goleiro do Coritiba começou justamente na defesa.
Foi colocado pelo pai para jogar como zagueiro no Trieste, mas a experiência não funcionou. O próprio Morisco admitiu, ao ge, que era “muito ruim” na função e costumava entrar no gol durante as atividades. Os treinadores perceberam ali havia um goleiro, e a mudança acabou acontecendo apesar da resistência inicial do pai.
Jair era velocista
Antes de se destacar como zagueiro, Jair era uma promessa longe dos gramados. Durante a infância em Orlândia, no interior paulista, disputava provas de atletismo e se destacava principalmente nos 50 metros e nos saltos.
Até os dez anos, representou a escola em competições da região e chegou a ser o mais rápido de sua categoria.
Mas no fim, o futebol era o destino do garoto. Jair ainda atuava como atacante quando participou de uma avaliação no Santos, mas os ex-jogadores Lima e Juary, que trabalhavam na observação de jovens do clube, entenderam que seu porte físico e leitura de jogo poderiam ser mais úteis na defesa. Ele passou a jogar como zagueiro e entrou definitivamente na base santista aos 11 anos.
A história tem ainda uma coincidência familiar. O pai de Jair também havia sido atacante e imaginava o filho como centroavante. Até o nome do jogador está no meio de tudo. Jair foi escolhido em homenagem a Jairzinho, campeão mundial com o Brasil em 1970.
Breno Bidon foi dispensado três vezes pelo Palmeiras
A trajetória de Breno Bidon antes do Corinthians passou pelo maior rival. Ainda criança, o meio-campista rodou por equipes como Santa Marina, Carolina, Juventus, Portuguesa, Audax e Palmeiras.
No clube alviverde, foi dispensado três vezes, mas abriu caminho para que encontrasse o clube que o revelaria. Breno chegou ao Timão aos 14 anos. Na copinha de 2024, foi o melhor jogador da competição e logo depois subiu para o time principal. Hoje, é a maior promessa do clube e está avaliado em 22 milhões de euros no Transfermarkt.
Vai pra cima, Bontempo!
Gabriel Bontempo vive o Santos desde os 10 anos e, ainda criança, já imaginava como seria ouvir a Vila Belmiro cantar seu nome. Torcedor e formado na base do clube, ele brincava que um dia teria uma música própria nas arquibancadas. Inspirado no canto de Gabigol — “Menino da Vila Santista e cruel, vai pra cima, Gabriel” —, quando criança criou a própria versão: “Menino da Vila, que tem muito talento, vai pra cima, Bontempo”.
Mauro Júnior chegou ao PSV como meia
Hoje lateral-esquerdo, Mauro Júnior chegou ao futebol holandês para exercer uma função bastante diferente. Formado no Desportivo Brasil, o jogador se transferiu para o PSV na temporada 2017/18, aos 18 anos, mas ainda como meio-campista.
Mauro foi emprestado ao Heracles para ganhar mais experiência e, quando retornou, passou a se firmar na lateral esquerda do clube de Eindhoven.
A relação com o país abriu a possibilidade de Mauro defender a seleção da Holanda, embora jogar pelo Brasil continuasse sendo seu sonho. Quatro anos depois, já como o brasileiro com mais partidas na história do clube holandês, a oportunidade finalmente chegou.
Matheuzinho começou a carreira como atacante
Hoje lateral-direito do Corinthians, Matheuzinho iniciou sua formação no Londrina, do Paraná, jogando como atacante.
A mudança de posição aconteceu ainda nas categorias de base. Pelas características ofensivas e pela capacidade de atuar pelo corredor, passou a jogar na lateral direita. Aos 16 anos, já integrava o time sub-19 e, na Copinha de 2018, marcou dois gols pelo Londrina.
Ainda em 2018, aos 17 anos, chegou ao elenco profissional. No ano seguinte, o Flamengo pagou R$ 1,2 milhão por 50% de seus direitos econômicos para contratá-lo. No clube carioca, porém, Matheuzinho não conseguiu se firmar como protagonista e, mais tarde, transferiu-se para o Corinthians, seu clube do coração.
Depois de uma primeira temporada de adaptação, hoje é titular absoluto do Timão, foi campeão, e hoje recebeu sua primeira convocação para a equipe principal do Brasil.
Quando o Brasil joga?
A Seleção fará três partidas nesta Data Fifa. O Brasil enfrenta a Austrália em 25 de setembro, às 7h (de Brasília), no Queensland Country Bank, em Townsville. As equipes voltam a se enfrentar no dia 29, no Suncorp Stadium, em Brisbane, também às 7h.
Depois, a delegação segue para a Índia. Em 3 de outubro, às 11h (de Brasília), o Brasil enfrenta os donos da casa no Salt Lake Stadium, em Calcutá. Será o primeiro confronto da história entre as seleções principais de Brasil e Índia.
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