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Algoz de Alcaraz, Ben Shelton sonhava em jogar na NFL; conheça tenista

Norte-americano entrou no top 100 da ATP antes mesmo de sair dos EUA e se tornou o principal nome de sua geração

Ben Shelton após vencer Alcaraz nas quartas de final do US Open. (Foto por LEONARDO MUNOZ / AFP)

Ben Shelton (n°9) entra em quadra nesta sexta-feira (11) contra o compatriota Frances Tiafoe (n°12) em busca da primeira final de Grand Slam da carreira. Aos 23 anos, venceu o espanhol Carlos Alcaraz nas quartas de final do US Open e já é top 10 do mundo, mas chegou até lá por um caminho bem diferente. Ben entrou no top 100 antes mesmo de ter um passaporte e só saiu dos Estados Unidos pela primeira vez aos 20 anos. 

Tênis não era o primeiro plano

Shelton cresceu dentro de uma família ligada ao esporte. O pai, Bryan Shelton, chegou ao 55º lugar do ranking mundial e depois foi atuar como treinador universitário. Ainda assim, Ben passou boa parte da infância mais interessado em futebol americano e beisebol.

Scott Perelman, que trabalhou com Bryan na Universidade da Flórida e acompanhou Ben desde pequeno, contou à ATP que o garoto chegou a dizer que nunca jogaria tênis. Durante anos, o sonho era o futebol americano e jogar como quarterback.

Gostar das quadras no fim, não foi uma opção, já que o tênis sempre esteve no centro da família. Bryan treinava pela manhã com Emma Shelton, irmã mais velha de Ben, antes de ela ir para a escola. Segundo Perelman, Ben começou a acompanhar os treinos e acabou perguntando ao pai se também poderia participar.

Perelman acredita que havia até um pouco de ciúme da atenção que Emma recebia nesses momentos. Foi a partir desses treinos que o tênis passou para o primeiro plano e ocupou um espaço maior na rotina do garoto.

O pai segurou a carreira internacional

Mesmo depois que Shelton passou a se destacar, Bryan adotou uma estratégia diferente daquela seguida por muitos dos juvenis, que desde cedo exploram torneios em diferentes países.

Ben chegou a perguntar ao pai se poderia disputar competições juvenis da ITF fora dos Estados Unidos. A resposta veio em forma de pergunta: ele já era o melhor jogador do país?

Shelton respondeu que não. Bryan então questionou por que eles deveriam viajar para outro país enquanto ainda havia adversários a serem superados dentro dos Estados Unidos. 

Da universidade para o top 100

Como não seria possível seguir pelo circuito juvenil internacional, Shelton seguiu para a Universidade da Flórida, onde passou a ser treinado pelo próprio pai.

Em 2021, ainda como calouro, ajudou os Gators a conquistarem o primeiro título nacional por equipes da história do programa. Shelton, inclusive, venceu o jogo que confirmou a conquista na decisão contra Baylor.

A evolução continuou rapidamente. Em 2022, conquistou o título da NCAA. Meses depois, já enfrentava jogadores da elite profissional e conseguiu no Cincinnati Open sua primeira vitória contra um integrante do top 5 mundial, ao eliminar Casper Ruud. Essa vitória colocou seu nome no radar do mundo do tênis e, pouco depois, decidiu abandonar os dois anos restantes da faculdade para se profissionalizar.

O salto no ranking aconteceu ainda naquele ano. Shelton fechou 2022 com 15 vitórias consecutivas e três títulos seguidos no circuito Challenger, em Charlottesville, Knoxville e Champaign. Tornou-se o jogador mais jovem da história do Challenger a conquistar três torneios em três semanas e saltou do 573º lugar no começo da temporada para o 97º, entrando pela primeira vez no top 100.

Tudo isso aconteceu sem que ele tivesse saído dos Estados Unidos.

Rápida ascensão

Quando terminou 2022 como um dos 100 melhores tenistas do mundo, Shelton sequer tinha passaporte. Também nunca havia disputado uma partida profissional ou juvenil na grama ou no saibro.

A primeira viagem internacional aconteceu no início de 2023, aos 20 anos, quando foi à Austrália para disputar os primeiros torneios da temporada.

Lá, fez sua estreia no Australian Open. Venceu Zhang Zhizhen, Nicolas Jarry, Alexei Popyrin e J.J. Wolf e chegou às quartas de final do Grand Slam. Só parou diante do compatriota Tommy Paul.

O resultado levou o americano ao 44º lugar do ranking e acelerou uma trajetória que, até ali, não existia fora das fronteiras do próprio país. Meses depois, em sua primeira temporada completa entre os profissionais, chegou à semifinal do US Open de 2023, mas caiu para ninguém menos que Novak Djokovic. O jovem foi subindo, não parou, e hoje ocupa a nona posição do ranking mundial da ATP.

Três anos depois da primeira campanha em Nova York, Shelton voltou à semifinal do US Open com a maior vitória da carreira. Nas quartas de final, o americano eliminou Carlos Alcaraz, número 3 do mundo então atual campeão do torneio, por 6/7 (5), 6/1, 6/3, 1/6 e 7/6 (7), após 4h28 de partida.  Se não o principal, Ben Shelton com certeza é um dos maiores nomes da nova geração do tênis norte-americano.

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