Na última quinta-feira (10), a Justiça do Rio de Janeiro autorizou o Vasco a avançar com a venda de 90% das ações de sua nova SAF e marcou para 25 de setembro, às 14h, a apresentação das propostas dos interessados. Na mesma decisão, obtida pelo Portal Tela, o clube recebeu autorização para contratar um financiamento de até R$ 150 milhões com a Almirante Participações e Empreendimentos S.A., empresa ligada a Marcos Lamacchia, principal nome entre os interessados na compra do clube e filho de José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa, e enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras.
Os R$ 150 milhões, porém, não serão necessariamente liberados de uma só vez. A Justiça determinou que o dinheiro seja disponibilizado de acordo com as necessidades financeiras do Vasco, com acompanhamento dos responsáveis pela fiscalização da recuperação judicial.
Documentos apresentados no processo mostram a pressão sobre o caixa do Vasco. Mesmo sem fazer novas contratações, a projeção indica que a SAF precisa da entrada de mais de R$ 100 milhões em setembro. Até dezembro, a estimativa aponta para um saldo de aproximadamente R$ 200 milhões negativos.
Em agosto, o Vasco terminou o mês com R$ 4,6 milhões em caixa. O processo, porém, destaca que esse valor não significa que havia dinheiro suficiente para pagar todas as contas. Cerca de R$ 82,3 milhões em pagamentos vencidos, principalmente por transferências de jogadores, comissões e luvas, ficaram para setembro.
O Cruzmaltino já havia contratado um financiamento de R$ 40 milhões como medida emergencial para manter os pagamentos e o funcionamento do clube. 61,8% desse dinheiro foi usado nas despesas da operação, como salários, encargos, direitos de imagem, bônus e premiações.
Leilão para a SAF
Os interessados na compra de 90% da SAF deverão apresentar propostas fechadas na audiência marcada para o dia 25 de setembro. Nesse processo, a Almirante Participações já apresentou uma proposta e terá o direito de igualar uma oferta maior feita por outro interessado. Antes disso, nenhum outros possíveis comprador se apresentou além da empresa.
Para participar da disputa, porém, os interessados terão de cumprir algumas exigências. Uma delas é apresentar uma garantia bancária capaz de cobrir todo o passivo incluído na recuperação judicial. Também será necessário depositar cerca de R$ 27 milhões em uma conta ligada ao processo. Esse dinheiro funciona como uma garantia adicional ligada ao período em que a recuperação ainda estará sob supervisão da Justiça.
Outro fator que permitiu o avanço da operação foi o acordo entre o Vasco e a 777 Carioca LLC. A antiga investidora informou que não se opõe à criação da nova SAF, à venda de 90% das ações nem à transferência dessa participação para o vencedor da disputa.
A decisão também prevê uma proteção para o Vasco caso a Almirante vença a disputa e depois desista da compra por responsabilidade própria. Nesse cenário, os valores já repassados por meio do novo financiamento, até o limite de R$ 150 milhões, poderão permanecer com a Vasco SAF, sem obrigação de devolução.
Já se outro investidor apresentar a melhor proposta e a Almirante decidir não igualá-la, o financiamento continuará sendo uma dívida da Vasco SAF, nas condições já acertadas. O próximo passo será a publicação do edital com as regras da disputa, antes da apresentação das propostas em 25 de setembro.
Entre na conversa da comunidade