Depois de passar boa parte da temporada longe das quadras por problemas físicos, Gabi Guimarães voltou à Seleção Brasileira, conquistou a vaga para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 e ainda foi eleita a melhor jogadora do Pré-Olímpico Sul-Americano. A classificação veio neste domingo (13), com a vitória por 3 sets a 0 sobre a Argentina no Maracanãzinho. O Brasil terminou a competição invicto e confirmou com antecedência sua presença em Los Angeles.
Aos 32 anos, a capitã agora tem pela frente a possibilidade de disputar sua quarta Olimpíada e buscar justamente a única medalha que falta em sua coleção: o ouro. A trajetória até esse ponto, porém, começou quase por acaso.
🔎Curiosidade: a coincidência do sobrenome engana muita gente, mas Gabi não é parente de José Roberto Guimarães, técnico da seleção feminina de vôlei.
O vôlei começou por causa das amigas
Gabi não cresceu com a certeza de que seria jogadora de vôlei. Antes de chegar às quadras, passou por outros esportes, como natação, tênis e futebol. Foi somente aos 14 anos que começou a jogar vôlei no colégio, inicialmente para acompanhar as amigas, mas depois, eram as amigas que sonhavam em acompanhá-la, já que em apenas seis meses, passou a disputar competições de base e entrou no radar da seleção.
A ponteira iniciou a formação no Mackenzie, de Belo Horizonte, e, aos 18 anos, deixou Minas Gerais para defender o Rio de Janeiro Vôlei Clube, então comandado por Bernardinho. Foi ali que a carreira profissional ganhou outro tamanho. Jovem e cercada por jogadoras experientes e disputando a Superliga, ela passou de promessa a uma das principais da posição no país.
No Sul-Americano Sub-18 de 2010, foi campeã e terminou a competição como MVP e melhor atacante. No Mundial da categoria, no ano seguinte, marcou 155 pontos e terminou como maior pontuadora do torneio, mesmo fora do pódio.
Aos 16 anos, foi para o Rio de Janeiro Vôlei Clube, contratada por Bernardinho depois de se destacar num jogo do Mackenzie contra o próprio time carioca nas quartas de final da Superliga. Lá, acumulou títulos nacionais e ganhou espaço definitivo na Seleção principal. Depois de seis temporadas no clube carioca, voltou a Belo Horizonte para finalmente defender o Minas Clube, antes de dar o passo que levaria a carreira a outro nível.
🏐Antes de jogar pelo Mackenzie, Gabi tentou uma vaga no Minas, mas foi recusada por ser considerada baixa demais para o esporte.🏐
Em 2019, aos 25 anos, deixou o Brasil pela primeira vez para jogar na Europa e acertou com o VakifBank, da Turquia.
Prêmios e mais prêmios
Gabi se consolidou entre as principais ponteiras do mundo principalmente durante a passagem pela Turquia. Desde 2024, defende o Conegliano, da Itália. Seu currículo também não é pouca coisa.
Principais prêmios individuais:
- 2010: MVP do Sul-Americano Sub-18
- 2015: MVP do Sul-Americano
- 2017: MVP do Sul-Americano de Clubes
- 2019: melhor ponteira da Liga das Nações
- 2021: melhor ponteira da Liga das Nações, Champions e Mundial de Clubes; MVP do Sul-Americano
- 2022: MVP da Champions; melhor ponteira da VNL e do Mundial
- 2023: MVP do Sul-Americano e melhor ponteira do Mundial de Clubes
- 2024: melhor ponteira dos Jogos Olímpicos; escolhida como segunda melhor jogadora do mundo pela Volleyball World.
- 2025: MVP do Italiano; melhor ponteira da VNL, Mundial e Mundial de Clubes; escolhida como segunda melhor jogadora do mundo pela Volleyball World.
- 2026: MVP da Copa Itália e do Pré-Olímpico Sul-Americano
Entre as principais conquistas por clubes estão seis títulos da Superliga brasileira, quatro Sul-Americanos de Clubes, três Champions League, dois Mundiais de Clubes, dois Campeonatos Turcos, dois Campeonatos Italianos, além de títulos de copas e supercopas no Brasil, na Turquia e na Itália.
A “filha do deus do vôlei”
O respeito conquistado dentro do esporte também rendeu um apelido curioso. O técnico espanhol César Hernández, que trabalhou com Gabi como auxiliar técnico na Europa, contou que certa vez pediu a opinião de outro treinador sobre a brasileira. A resposta foi que, A resposta foi que, se existisse um “deus do vôlei” no Olimpo, Gabi seria sua filha.
Com 1,80 m, ela é mais baixa do que muitas adversárias da posição, mas compensou a diferença com impulsão, velocidade, leitura de jogo, recepção e eficiência defensiva.
Fora das quadras, parte desse rendimento também passa por uma rotina bastante controlada. Gabi já contou que inclui meditação, cuidados com o sono e controle da alimentação na preparação para competir em alto nível.
Sonho do ouro
A estreia olímpica aconteceu em 2016. Aos 22 anos, Gabi fazia parte do Brasil que chegou aos Jogos depois dos ouros de Pequim 2008 e Londres 2012, mas terminou nas quartas de final, com derrota para a China. Em Tóquio, cinco anos depois, conquistou a prata depois da derrota para os Estados Unidos
O protagonismo cresceu ainda mais no ciclo seguinte. Capitã da Seleção, ela liderou o Brasil nos Jogos de Paris 2024, quando a equipe voltou ao pódio com a medalha de bronze.
Agora, o Brasil já tem lugar garantido em Los Angeles 2028. Gabi estará com 34 anos e, caso seja convocada, disputará sua quarta Olimpíada, buscando talvez a única conquista que ainda não alcançou em sua carreira.
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