Nem só de bons momentos vive o melhor visitante brasileiro da história da Libertadores. O Palmeiras volta nesta quarta-feira (16) a um estádio que guarda algumas das piores lembranças recentes do clube na competição.
O time enfrenta a LDU, no Equador, a cerca de 2.850 metros de altitude, a partir das 19h, precisando administrar a vantagem mínima de 1 a 0 construída no primeiro jogo das quartas de final. Um empate coloca o Verdão novamente entre os quatro melhores da América.
⚽O Palmeiras é o brasileiro com mais vitórias fora de casa (61) e o terceiro no ranking geral da Libertadores, perdendo para Nacional (URU) e River Plate, que tem 64 e 65, respectivamente. Além disso, o clube tem a maior sequência invicta fora de casa da história da competição (20 jogos entre 2019 e 2022), estabelecendo-se como o visitante mais regular e temido do continente no século XXI. ⚽
As lembranças são ruins devido ao histórico em Quito. Nas duas vezes em que visitou a LDU pela Libertadores, o Palmeiras perdeu e sofreu na defesa: 3 a 2 em 2009 e 3 a 0 em 2025. São seis gols sofridos em dois jogos oficiais contra os equatorianos na cidade.
O desafio desta vez é mostrar que a equipe aprendeu com a visita mais recente.
O que o Palmeiras pode ter aprendido com o 3 a 0?
Em outubro do ano passado, Palmeiras e LDU também disputavam um mata-mata da Libertadores, naquela ocasião pela semifinal. O time de Abel Ferreira foi dominado no início e chegou ao intervalo perdendo por 3 a 0, placar que permaneceu até o fim.
A pressão equatoriana começou praticamente junto com o jogo. A LDU abriu o placar aos 15 minutos e construiu os três gols ainda na primeira etapa. O Palmeiras teve dificuldade para controlar a intensidade do adversário, defender os espaços e se adaptar às características da bola na altitude. Após a partida, Piquerez apontou os 2.850 metros de Quito como um dos principais problemas enfrentados pela equipe.
O prejuízo só não terminou em eliminação porque o Palmeiras protagonizou uma reação histórica na volta: fez 4 a 0 em São Paulo e avançou à final. A Conmebol registra a virada como uma das grandes remontadas recentes da competição.
Quase um ano depois, a preparação para o reencontro colocou a altitude novamente no centro das atenções.
O elenco embarcou para o Equador ainda na segunda-feira (14) e, no mesmo dia, realizou uma atividade física no Estádio Olímpico Atahualpa. A comissão também trabalhou posicionamento e movimentações pensando especificamente no confronto.
Há ainda uma mudança importante dentro de campo. O Palmeiras passou a utilizar com frequência uma estrutura com três zagueiros, formação adotada também no jogo de ida contra a LDU. A equipe venceu por 1 a 0 e permitiu poucas oportunidades ao adversário, embora não tenha conseguido transformar o domínio em uma vantagem maior.
A dúvida agora é como essa estrutura responderá quando o cenário se inverter e a LDU assumir uma postura mais agressiva.
Seis gols sofridos em duas visitas à LDU
O problema do Palmeiras em Quito não começou em 2025. Em 17 de fevereiro de 2009, pela fase de grupos da Libertadores, o time comandado por Vanderlei Luxemburgo enfrentou a então campeã continental no Casa Blanca. Os equatorianos venceram por 3 a 2, com dois gols de Walter Calderón e um de Damián Manso. Willians e Edmílson marcaram para o Palmeiras.
Dezesseis anos depois, veio o 3 a 0, resultado que fez muitos torcedores desacreditarem de uma reação na volta. E não é só com o Palmeiras, viu? A força da LDU contra brasileiros na capital equatoriana é geral. A equipe chega ao jogo desta quarta com 12 partidas de invencibilidade em casa contra clubes do Brasil desde 2021, com oito vitórias e quatro empates.
O último algoz nas quartas
Se Quito oferece motivos para preocupação, o histórico recente do Palmeiras nesta fase do torneio aponta para o lado contrário. O Verdão avançou em todas as últimas cinco quartas de final da Libertadores que disputou:
- 2020: eliminou o Libertad;
- 2021: eliminou o São Paulo;
- 2022: eliminou o Atlético-MG;
- 2023: eliminou o Deportivo Pereira;
- 2025: eliminou o River Plate.
Em 2024, a equipe foi eliminada para o Botafogo, mas nas oitavas de final.
A última queda palmeirense nas quartas aconteceu há sete anos, em 2019, contra o Grêmio. O Palmeiras ganhou a ida por 1 a 0, em Porto Alegre, e ainda abriu o placar na volta, no Pacaembu. O time gaúcho virou para 2 a 1 e avançou pelo critério do gol marcado fora de casa, ainda utilizado naquele momento pela competição.
Desde então, sempre que chegou às quartas, o Palmeiras também chegou à semifinal.. São 12, recorde entre clubes brasileiros.
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