Uma investigação conjunta dos jornais The New York Times e Le Monde, publicada nesta terça-feira (6), aponta que a Fifa identificou a situação irregular do goleiro Lionel Mpasi, da República Democrática do Congo, e ainda assim permitiu que ele atuasse nas Eliminatórias Africanas e na Copa do Mundo de 2026.
Nascido na França e hoje no Le Havre, Mpasi disputou 12 partidas pelas seleções francesas de base nas categorias sub-16 e sub-17, entre 2010 e 2011, incluindo o Mundial Sub-17. Ele iniciou o processo de mudança de vínculo internacional em 2021, mas o procedimento nunca foi concluído.
O caso veio à tona depois que a Nigéria apresentou uma reclamação formal à Fifa.
Os nigerianos foram eliminados pela RD Congo na semifinal do playoff africano, por 1 a 1 e derrota nos pênaltis, e questionaram a elegibilidade de jogadores congoleses.
Segundo os documentos analisados pelos jornais, o próprio departamento jurídico da Fifa concluiu, em março de 2026, que Mpasi era inelegível.
Relatórios internos chegaram a estudar diferentes cenários, entre eles a aplicação de multas, a exclusão da RD Congo da repescagem intercontinental e até a substituição da seleção congolesa pela Nigéria.
Nenhuma punição foi aplicada, e o protesto foi arquivado.
Liberada, a RD Congo venceu a repescagem contra a Jamaica e voltou a uma Copa do Mundo depois de 56 anos.
No Mundial, Mpasi foi titular em quatro partidas. Pelo Grupo K, a seleção perdeu para Portugal e para a Colômbia, por 1 a 0, jogo em que o goleiro fez nove defesas, e venceu o Uzbequistão. No mata-mata, caiu diante da Inglaterra.
Autoridades esportivas nigerianas iniciaram consultas jurídicas para pedir indenização financeira e requerer a reabertura das investigações disciplinares. O argumento é o de que irregularidades e fraudes em documentação de atletas não prescrevem.
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