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Messi quase teve outro destino antes de vestir a camisa da Argentina

Espanha tentou atrair o jovem do Barcelona e AFA chegou a enviar a primeira convocação com o nome “Leonel Mecci”

Messi se despede da seleção Argentina nesta terça-feira (06). (Foto por LUIS BAGU / GETTY IMAGES EUROPE / GETTY IMAGES VIA AFP)

Antes de se tornar campeão do mundo e um dos maiores nomes da história da seleção argentina, Lionel Messi passou boa parte da adolescência distante das categorias de base do país.

Enquanto crescia no Barcelona e começava a chamar atenção na Espanha, a Associação do Futebol Argentino (AFA) ainda tentava entender quem era aquele garoto de Rosário que havia deixado o país aos 13 anos. A demora abriu espaço para que a federação espanhola se movimentasse e fez a Argentina acelerar uma aproximação que começou de maneira bastante improvisada.

O alerta veio após uma derrota para a Espanha

Em agosto de 2003, durante o Mundial Sub-17 da Finlândia, a Argentina perdeu por 3 a 2 para a Espanha na semifinal. No dia seguinte, Hugo Tocalli, técnico da equipe argentina, encontrou no hotel um cozinheiro da delegação espanhola, que comentou que a equipe poderia ter sido campeã se tivesse levado um jovem argentino que jogava no Barcelona. Tocalli perguntou se ele estava falando de Messi. A resposta veio em tom de surpresa: se já conhecia o garoto, por que não o havia convocado?

Messi não era completamente desconhecido da comissão argentina. Poucos dias antes da viagem para o Mundial, Tocalli havia recebido um VHS com algumas jogadas do atacante, mas preferiu manter o grupo de todo o processo de classificação. O vídeo havia começado a circular meses antes, depois que Horacio Gaggioli, um dos primeiros agentes do jogador, entregou a gravação a Claudio Vivas, auxiliar de Marcelo Bielsa na seleção principal. A iniciativa partiu de Jorge Messi, pai do jogador, justamente porque o filho ainda tinha pouca visibilidade na Argentina.

As imagens foram vistas também por Bielsa. Segundo o relato recuperado pela Fifa, o treinador chegou a perguntar se a gravação estava acelerada por causa da velocidade com que Messi conduzia a bola e passava pelos adversários. Vivas respondeu que o vídeo estava em velocidade normal. A impressão deixada pelo garoto foi imediata, mas a fita demorou cerca de três meses para chegar às mãos de Tocalli.

Enquanto a Argentina começava a se movimentar, pessoas ligadas ao Barcelona já haviam iniciado contatos com integrantes das categorias de base espanholas. Alex García, então treinador no clube, falou com Ginés Meléndez, coordenador das seleções juvenis da Espanha, sobre a possibilidade de convocar Messi, que vivia no país desde 2000 e ainda não havia sido chamado pela seleção de nascimento.

Tocalli admitiria anos depois que havia preocupação real com essa possibilidade. Em entrevista à Fifa, disse que temia diariamente que a Espanha convocasse Messi antes da Argentina. O receio existia dentro da federação, mesmo que o próprio jogador nunca tivesse demonstrado interesse em defender outro país. A família sustentava que a prioridade era esperar por um chamado argentino.

Depois do Mundial Sub-17, Tocalli pediu a Omar Souto, funcionário do departamento de seleções da AFA, que encontrasse a família do jogador. Sem telefone direto ou qualquer contato atualizado, Souto foi até um locutório em Monte Grande, na região metropolitana de Buenos Aires, pegou uma lista telefônica de Rosário e começou a ligar para pessoas com o sobrenome Messi.

A busca também tinha uma pequena confusão: Souto procurava por “Leonardo Messi”, supondo que “Leo” fosse abreviação de Leonardo. Depois de algumas tentativas, conseguiu falar com Celia, avó do jogador, chegou a um tio e, por fim, obteve o telefone de Jorge Messi, que estava na Espanha com o filho. Ao ouvir o nome usado pelo funcionário da federação, Jorge fez a correção e explicou que o nome era Lionel. Também respondeu que a família esperava havia algum tempo pelo contato argentino.

“Leonel Mecci”

Mesmo depois de localizar a família e descobrir o nome correto do jogador, a AFA ainda cometeu outro erro. Quando enviou ao Barcelona o fax com a primeira convocação oficial para a seleção juvenil, o documento trazia o nome “Leonel Mecci”.

A federação escreveu incorretamente tanto o primeiro nome quanto o sobrenome do jovem que, anos depois, se tornaria seu principal símbolo. Depois que o contato foi estabelecido, a AFA acelerou os planos para colocá-lo em campo.

Messi estreou pela seleção Sub-20 em junho de 2004, contra o Paraguai, poucos dias depois de completar 17 anos. A partir dali, deixou de existir qualquer dúvida sobre qual país ele representaria.

Nesta terça (06), será escrito o último capítulo dessa história, que eternizou o camisa 10, ao lado de Maradona, como o maior argentino de todos os tempos.

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