A nove rodadas do fim do Brasileirão, o Corinthians decidiu demitir Fernando Diniz após sete derrotas consecutivas e na beira da zona de rebaixamento. A equipe ocupa a 16ª posição, com 32 pontos, apenas um acima do Internacional, primeiro clube dentro do Z4.
Mesmo com cerca de 20 dias de paralisação para a Data Fifa, período que poderia ter sido aproveitado por um novo treinador para conhecer o elenco e implementar seu trabalho sem jogos, o Timão optou pela permanência de Diniz. Bastou, porém, uma partida após a pausa para a demissão, desperdiçando a oportunidade de dar mais tempo de preparação ao substituto.
Estratégias como essa acontecem quase todos os anos, embora o retrospecto mostre que a troca de treinador nem sempre é suficiente para evitar a queda.
Retrospecto recente
Nas últimas temporadas, clubes como Internacional, Juventude e Cruzeiro conseguiram permanecer na Série A depois de mudar o comando na reta final. Ceará e Athletico-PR, por outro lado, terminaram rebaixados mesmo após recorrer à troca. Em alguns casos, a mudança aconteceu quando restavam menos de cinco partidas para o encerramento do campeonato.
Trocas salvadoras
O caso mais recente foi o do Colorado, em 2025. Após sofrer uma goleada por 5 a 1 para o Vasco, o clube dispensou Ramón Díaz e recorreu ao ídolo Abel Braga, que estava aposentado, para disputar as duas últimas rodadas. O Inter chegou à partida final ameaçado, mas venceu o Red Bull Bragantino por 3 a 1 e contou com as derrotas de Ceará e Fortaleza para permanecer na elite, terminando em 16º lugar, com 44 pontos.
No ano anterior, foi a vez do Juventude escapar após uma mudança de comando. Na 18ª posição, com 34 pontos, o clube demitiu Jair Ventura e contratou Fábio Matias quando faltavam sete rodadas. Apesar da derrota na estreia, o novo treinador conquistou três vitórias e dois empates nas cinco partidas seguintes. A equipe gaúcha encerrou o campeonato em 15º lugar, com 45 pontos.
A recuperação do Cruzeiro em 2023 também aconteceu após uma troca na comissão técnica. Na zona de rebaixamento, o clube dispensou Zé Ricardo e entregou o comando a Paulo Autuori para os seis compromissos finais. Foram duas vitórias e quatro empates nesse período, suficientes para levar a equipe à 14ª colocação, com 47 pontos.
Já em 2025, o Red Bull Bragantino apostou em Vagner Mancini após demitir Fernando Seabra. Com oito partidas restantes, o novo treinador conseguiu afastar a equipe da disputa contra o rebaixamento. O clube terminou o Brasileirão na décima posição, com 48 pontos, e garantiu uma vaga na Copa Sul-Americana.
Quando a troca não resolveu
Em 2022, o Ceará decidiu dispensar Lucho González após a 34ª rodada, quando já ocupava o Z4. O argentino deixou o comando depois de dez partidas, com apenas uma vitória, e foi substituído pelo interino Juca Antonello. A reação esperada não aconteceu; o time perdeu os três jogos seguintes e caiu com uma rodada de antecedência.
O Athletico-PR também mudou de treinador durante o segundo turno de 2024, apostando em Lucho González para tentar interromper a sequência negativa. A equipe, entretanto, continuou acumulando resultados ruins e terminou o campeonato em 17º lugar, com 42 pontos, após perder para o Atlético-MG na última rodada.
Em 2023, o Santos chegou a apresentar uma reação com Marcelo Fernandes, que assumiu após a saída de Diego Aguirre. O treinador venceu três partidas consecutivas no início, mas a recuperação não se manteve. O Peixe acabou rebaixado pela primeira vez em sua história depois de perder para o Fortaleza na última rodada.
No Corinthians, a próxima oportunidade de iniciar uma reação será domingo (11) no Derby contra o Palmeiras, pela 30ª rodada.
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