O Estádio Centenário, em Montevidéu, voltará a receber uma final de Libertadores entre Palmeiras e Estudiantes, 58 anos depois de ter sido palco do primeiro título continental do clube argentino. Em 1968, as equipes precisaram disputar três partidas para definir o campeão, em uma decisão que reuniu nomes pesados como Ademir da Guia, Dudu, Carlos Bilardo e Juan Ramón Verón.
A nova decisão está marcada para 28 de novembro, novamente no estádio uruguaio, mas desta vez em jogo único. O Palmeiras garantiu a classificação ao eliminar o Fluminense nos pênaltis, na quarta-feira (21), enquanto o Estudiantes superou o Flamengo, também nas penalidades, na quinta-feira (22).
Na primeira decisão entre os clubes, ambos buscavam o título inédito da Libertadores. O Palmeiras já havia chegado à final em 1961, quando perdeu para o Peñarol, enquanto o Estudiantes começava a formar a equipe que conquistaria três títulos continentais consecutivos, entre 1968 e 1970.

Foto: Divulgação / Conmebol
Como foi a final de 1968?
O primeiro encontro aconteceu em 2 de maio, em La Plata, na Argentina, com vitória de virada do Estudiantes por 2 a 1. Cinco dias depois, no Pacaembu, o Palmeiras reagiu diante de aproximadamente 40 mil torcedores e venceu por 3 a 1. Apesar da vantagem no placar agregado, o clube brasileiro não conquistou o título, já que o regulamento da época não considerava o saldo de gols como critério de desempate.
Em 1968, a final da Libertadores considerava os pontos conquistados, e não a soma dos gols, como principal critério para definir o campeão. Como cada clube venceu uma partida, foi necessário disputar um terceiro jogo, em campo neutro.
A decisão aconteceu em 16 de maio de 1968, no Estádio Centenário, diante de cerca de 55 mil torcedores. Desta vez, o Estudiantes levou a melhor e venceu o Palmeiras por 2 a 0, conquistando seu primeiro título da Libertadores.

Foto: Divulgação / Conmebol
Autor de um gol em cada uma das três partidas, Juan Ramón Verón foi um dos destaques da conquista argentina. Conhecido como La Bruja, o atacante também participou dos títulos de 1969 e 1970. Ele é pai de Juan Sebastián Verón, ex-jogador e atual presidente do Estudiantes.
Tradição “copeira”
Treinado por Osvaldo Zubeldía, o Estudiantes tinha um estilo que dividia opiniões. A equipe era reconhecida pela preparação física, pela disciplina tática e pela capacidade de dificultar o jogo dos adversários. Ao mesmo tempo, ficou marcada pelas faltas duras, provocações e pela catimba, e por isso eram taxados como um time que praticava o “antifutebol”.
Zubeldía estudava detalhadamente os rivais. Seus ataques eram praticamente jogadas de bola parada e o posicionamento da defesa era orquestrado para deixar os atacantes em impedimento. Essas práticas, hoje comuns, eram pouco utilizadas de maneira tão sistemática naquela época.
Carlos Bilardo, que atuava no meio-campo e, anos depois, conquistaria a Copa do Mundo de 1986 como treinador da Argentina, era um dos principais representantes daquela equipe. O volante ficou conhecido pela forte marcação, característica de um clássico “pitbull”, e pelas provocações contra os adversários.
Os caras batiam mesmo. Em 1969, a imagem da equipe se desgastou ainda mais após a decisão da Copa Intercontinental contra o Milan, marcada por agressões que resultaram na prisão de três jogadores argentinos. Teve chute no rosto, cotovelada e até intervenção do governo militar argentino, que determinou 30 dias de reclusão aos atletas.
A sequência de conquistas da América consolidou a chamada mística copeira do Estudiantes. No futebol, a expressão “time copeiro” é utilizada para equipes que costumam se destacar em competições eliminatórias, especialmente pela competitividade e pela capacidade de vencer confrontos decisivos.
Uma nova decisão no mesmo estádio
Agora, Palmeiras e Estudiantes voltarão ao Centenário. Os brasileiros buscam o quarto título da Libertadores, após as conquistas de 1999, 2020 e 2021. A última delas também aconteceu no estádio uruguaio, quando a equipe venceu o Flamengo por 2 a 1, na prorrogação, com gol de Deyverson após uma falha de Andreas Pereira, que, curiosamente, hoje é meio-campista titular do Verdão.

(Foto: Cesar Greco/Palmeiras)
Já o Estudiantes tenta conquistar sua quinta taça. Além do tricampeonato entre 1968 e 1970, o clube argentino foi campeão em 2009, quando derrotou o Cruzeiro na decisão.
Diferentemente de 1968, não haverá partida de desempate. A final de 28 de novembro será realizada em jogo único, com prorrogação e pênaltis em caso de igualdade após os 90 minutos e prorrogação. Quem será que leva a decisão?
Entre na conversa da comunidade