A Argentina esteve a 11 minutos de uma eliminação histórica, mas encontrou uma virada improvável contra o Egito nesta terça-feira (7). Perdendo por 2 a 0, a atual campeã mundial marcou com Cristian Romero, Lionel Messi e Enzo Fernández na reta final, venceu por 3 a 2 no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, e avançou às […]
A Argentina esteve a 11 minutos de uma eliminação histórica, mas encontrou uma virada improvável contra o Egito nesta terça-feira (7). Perdendo por 2 a 0, a atual campeã mundial marcou com Cristian Romero, Lionel Messi e Enzo Fernández na reta final, venceu por 3 a 2 no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, e avançou às quartas de final da Copa do Mundo.
A reação argentina, porém, dividiu espaço com a arbitragem de François Letexier. Duas jogadas passaram a dominar a discussão após o apito final: o gol de Zico anulado pelo VAR por uma falta no início do contra-ataque e o lance envolvendo Salah imediatamente antes do gol da virada de Enzo Fernández.
O gol de Zico que existiu por alguns minutos
Aos 12 minutos da etapa final, o Egito construiu uma das jogadas mais bonitas da partida. Haissem Hassan avançou pela direita, deu uma caneta em Tagliafico e encontrou Salah. O camisa 10 achou Zico entrando livre, e o atacante tocou na saída de Dibu Martínez para fazer o que seria o 2 a 0.
Zico comemorou. A Argentina se preparava para recomeçar o jogo. Foi então que o VAR Jérôme Brisard voltou ao início do contra-ataque.
Antes da arrancada de Hassan, Attia havia recuperado a bola de Lisandro Martínez ainda no campo defensivo egípcio. As imagens mostraram contato no pé do zagueiro argentino. Letexier foi chamado ao monitor, reviu o lance e marcou a falta. O gol foi anulado.
Foto: Reprodução/X
Pelo protocolo, o VAR podia voltar tanto na jogada? Sim. A IFAB permite a revisão de uma infração da equipe atacante na construção de um gol. Não existe uma regra que limite a análise a cinco, dez ou 15 segundos antes da bola entrar. O ponto central é identificar a fase ofensiva que levou ao gol.
No caso do Egito, a posse saiu diretamente do desarme sobre Lisandro e terminou rapidamente na finalização de Zico. Não houve uma longa troca de passes ou uma nova fase clara do ataque. Foi um contra-ataque vertical e contínuo.
Mas o debate está em outro ponto: o contato era claro e óbvio o suficiente para justificar a intervenção do VAR?
O ex-juiz espanhol Eduardo Iturralde González, que foi árbitro da Fifa por 14 anos, entendeu que o lance poderia ser marcado como falta em campo, mas criticou a intervenção do vídeo. Na avaliação dele, o VAR adotou um critério excessivamente intrusivo ao transformar uma disputa interpretativa em erro claro da arbitragem.
Ou seja: a polêmica não está no direito do VAR de revisar a origem do gol. Está no tamanho do erro necessário para o vídeo interferir.
Zico ainda marcaria novamente aos 22 minutos. Desta vez, sem revisão capaz de apagar a jogada. Salah puxou o contra-ataque, Hassan acelerou pela direita e cruzou para o atacante fazer 2 a 0.
Messi muda o jogo em quatro minutos
A Argentina parecia eliminada até os 34 minutos do segundo tempo. Messi cruzou pela direita e Cristian Romero apareceu livre para cabecear e diminuir. Quatro minutos depois, o camisa 10 aproveitou uma bola viva na área e bateu forte para empatar.
O Egito, que havia controlado grande parte da partida, passou a sofrer com a pressão argentina. Mesmo assim, nos acréscimos, voltou ao ataque.
E foi aí que nasceu a segunda grande discussão do jogo.
A reclamação sobre Salah segundos antes do gol de Enzo
Aos 46 minutos do segundo tempo, Hany avançou pela direita. Dentro da área, Mac Allister deu um leve puxão na camisa de Fathy, que caiu e pediu pênalti. A arbitragem mandou o jogo seguir.

Foto: Reprodução/X
A jogada não terminou. O Egito recuperou a bola e acionou Salah pelo lado direito da área. O atacante tentou proteger a posse, mas Julián Álvarez entrou na disputa e conseguiu o desarme. Os egípcios imediatamente pediram uma nova infração.
Segundos depois, a bola já estava no outro lado do campo.
Álvarez iniciou a transição, Lautaro Martínez recebeu pela direita e cruzou. Enzo Fernández entrou na área e cabeceou para marcar o 3 a 2 aos 47 minutos. Era o gol da classificação argentina.

Foto: Reprodução/X
O banco do Egito explodiu.
Salah foi diretamente ao árbitro. Shobeir recebeu cartão amarelo por reclamação, Fathy também foi advertido e o preparador de goleiros Saafan Elshaghir acabou expulso depois de entrar no campo.
Diferentemente do gol anulado de Zico, o VAR não recomendou que Letexier fosse ao monitor para rever as reclamações egípcias antes do gol de Enzo.
Pelo protocolo da IFAB, um possível pênalti não marcado e uma infração da equipe atacante na construção de um gol estão entre os episódios que podem ser revisados. A decisão de campo, porém, só deve ser alterada diante de um erro claro e óbvio.
Na análise de Iturralde González, não houve pênalti sobre Salah. O ex-árbitro afirmou não identificar um pisão do argentino no egípcio. Ele também considerou insuficiente para pênalti o contato de Mac Allister em Fathy.

Foto: Reprodução/X
É justamente a comparação entre os dois momentos que alimenta a revolta do Egito. No gol de Zico, o VAR voltou ao começo de um contra-ataque e recomendou a revisão por um contato no pé de Lisandro. No gol de Enzo, duas reclamações dentro da área egípcia antecederam imediatamente o contra-ataque argentino, mas nenhuma levou o árbitro ao monitor.
Isso não significa, tecnicamente, que o segundo lance obrigatoriamente deveria resultar em pênalti. Mas explica por que os egípcios deixaram Atlanta questionando a diferença de critério na intervenção do vídeo.
“Todos viram o que aconteceu”
A revolta continuou depois do jogo. Zico acusou a arbitragem de perseguir o Egito e falou em uma partida “direcionada”. O atacante também ironizou a Argentina ao parabenizar a seleção por “mais uma Copa do Mundo”.
Salah foi mais contido, mas também deixou clara sua insatisfação.
“Quanto à arbitragem, prefiro não comentar. Todos viram o que aconteceu.”
O camisa 10 egípcio ainda afirmou que sua seleção teve um gol anulado e um pênalti não marcado antes do contra-ataque que terminou no gol argentino.
A Argentina está nas quartas de final depois de uma das viradas mais dramáticas desta Copa. Messi saiu do pênalti perdido para participar diretamente da reação, e Enzo Fernández marcou o gol decisivo nos acréscimos.
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