Há pouco mais de três meses, Ayyoub Bouaddi vestia a camisa da seleção francesa sub-21. Nesta quinta-feira (9), às 17h, em Boston, o volante de 18 anos estará do outro lado do campo, defendendo Marrocos contra a própria França nas quartas de final da Copa do Mundo. Entre uma coisa e outra, tudo foi muito […]
Há pouco mais de três meses, Ayyoub Bouaddi vestia a camisa da seleção francesa sub-21. Nesta quinta-feira (9), às 17h, em Boston, o volante de 18 anos estará do outro lado do campo, defendendo Marrocos contra a própria França nas quartas de final da Copa do Mundo. Entre uma coisa e outra, tudo foi muito rápido: a última partida pelos franceses foi em março, e a escolha pelo país dos pais aconteceu poucos dias antes da convocação para o Mundial.
Nascido nos arredores de Paris e revelado pelo Lille, onde estreou aos 16 anos, Bouaddi passou por praticamente todas as categorias de base da França: sub-16, sub-17, sub-18, sub-20 e sub-21. Era tratado como prodígio, mas via um funil à frente. Com Tchouaméni, Rabiot, Koné, Kanté e Zaïre-Emery na disputa, a vaga na seleção principal francesa poderia levar anos. A federação marroquina, que o monitorava de perto, ofereceu o caminho curto para a Copa: o técnico Mohammed Ouhabi abriu as portas e sinalizou que contava com ele para o Mundial.
A aposta se pagou em semanas. Bouaddi foi titular em todos os jogos do Marrocos no torneio até agora, controlou o meio-campo contra o Brasil logo na estreia e se firmou como uma das revelações do campeonato. O roteiro repete o de Hakimi, Mazraoui e Brahim Díaz, todos nascidos na Europa e abraçados pelas raízes marroquinas.
Na França, o tom é de resignação. “Ele é um produto puro do sistema de base francês. Alguém que conhecemos bem. Em determinado momento da carreira, fez uma escolha, e não vamos culpá-lo por isso”, afirmou o auxiliar-técnico francês Guy Stéphan, admitindo que a concorrência pesou. “Se eu perguntasse quem tirar do time, não teríamos a mesma resposta no vestiário”, completou.
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Do lado de lá, Bouaddi não parece ter dúvidas de que escolheu certo. “Somos como uma verdadeira família. Ser marroquino é algo incrível, e estamos muito orgulhosos de representar este país na Copa do Mundo”, disse à Fifa.
Três meses depois de vestir azul pela última vez, ele pode fazer história com o vermelho e verde e levar Marrocos à segunda semifinal seguida de Copa.
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