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Camisa, tweet antigo e coincidências: as superstições da Argentina para a final da Copa

Albiceleste chega à decisão da Copa cercada de “cábalas”, previsões antigas e padrões curiosos; mas nem todos os sinais jogam a favor de Messi e companhia

Foto: Divulgação/Fifa

A Argentina não chega a uma final de Copa do Mundo apenas com Messi, Scaloni, Lautaro, Enzo e uma camisa pesada. Chega também com um pacote inteiro de superstições. Para um país em que as “cábalas” fazem parte da cultura futebolística, a decisão contra a Espanha virou terreno perfeito para todo tipo de sinal: camisa […]

A Argentina não chega a uma final de Copa do Mundo apenas com Messi, Scaloni, Lautaro, Enzo e uma camisa pesada. Chega também com um pacote inteiro de superstições.

Para um país em que as “cábalas” fazem parte da cultura futebolística, a decisão contra a Espanha virou terreno perfeito para todo tipo de sinal: camisa da sorte, tuíte antigo, repetição histórica e coincidências que parecem escritas para enlouquecer torcedores.

A equipe de Lionel Scaloni chegou à decisão depois de vencer a Inglaterra por 2 a 1, de virada, enquanto os espanhóis eliminaram a França por 2 a 0. A Argentina tenta o quarto título mundial e o bicampeonato consecutivo.

A camisa que virou amuleto

A primeira superstição envolve o uniforme. No recorte moderno das finais argentinas, a Albiceleste venceu as três Copas em que levantou a taça usando a camisa tradicional, com listras em azul-celeste e branco: 1978, 1986 e 2022.

Já nas duas finais em que atuou com a camisa azul, em 1990 e 2014, a Argentina ficou com o vice. Perdeu para a Alemanha Ocidental em Roma e, 24 anos depois, para a Alemanha no Maracanã.

LUSAIL CITY, QATAR - DECEMBER 18: Players of Argentina celebrate after winning the penalty shootout to defeat France to win the FIFA World Cup Qatar 2022 Final match between Argentina and France at Lusail Stadium on December 18, 2022 in Lusail City, Qatar. (Photo by Tullio Puglia - FIFA/FIFA via Getty Images)

Foto: Divulgação/Fifa

O detalhe ganhou força nas redes porque a Argentina chega a mais uma decisão contra uma seleção europeia. A camisa de 2026, inclusive, foi desenhada com tons que remetem aos três títulos argentinos de 1978, 1986 e 2022.

O tweet de 2021 que voltou a viralizar

Outro “sinal” que tomou conta das redes é um tuíte antigo, publicado em julho de 2021, pelo perfil @actuallyimthe. A mensagem dizia que a Argentina venceria a Espanha na final da Copa de 2026 por 3 a 2.

Foto: Reprodução

Na época, a publicação passou praticamente despercebida. Agora, com Espanha e Argentina confirmadas na decisão, o print virou uma espécie de profecia digital.

A graça está justamente no absurdo. Em 2021, Messi ainda não tinha vencido nem a Copa de 2022. Lamine Yamal ainda nem era nome consolidado no futebol profissional. E a ideia de uma final Argentina x Espanha em 2026 parecia apenas mais um palpite aleatório perdido na internet.

O presságio contra a Espanha

Também há uma superstição que favorece os argentinos pelo lado espanhol. Em 2002, a Alemanha chegou à final da Copa tendo sofrido apenas um gol antes da decisão. O time de Oliver Kahn enfrentou uma seleção sul-americana, o Brasil, e perdeu por 2 a 0, com dois gols de Ronaldo.

Agora, a Espanha chega à final de 2026 também com apenas um gol sofrido em toda a campanha, vazada apenas pela Bélgica nas quartas de final. E, mais uma vez, a adversária será uma seleção sul-americana.

Não quer dizer nada. Mas, em semana de final, basta uma coincidência dessas para virar argumento.

Doze anos depois do Maracanã

Há ainda uma comparação que mexe com a memória sul-americana. O Brasil perdeu a Copa de 1950 no Maracanã e, 12 anos depois, foi campeão mundial no Chile, em uma Copa disputada na América.

File:Germany and Argentina face off in the final of the World Cup 2014 -2014-07-13 (6).jpg - Wikimedia Commons

Foto: Creative Commons

A Argentina perdeu a final de 2014 no Maracanã, contra a Alemanha. Agora, 12 anos depois, disputa uma final de Copa em solo americano, contra a Espanha. A conta virou munição para quem acredita que a história pode repetir, com outro país sul-americano fechando uma ferida aberta no Rio de Janeiro.

É uma leitura emocional, não estatística. Mas Copas também vivem disso.

A semifinal como sinal

Nas últimas vezes em que a seleção passou por uma semifinal nos pênaltis, acabou perdendo a final. Foi assim em 1990, quando eliminou a Itália nos pênaltis e depois caiu para a Alemanha Ocidental. Também foi assim em 2014, quando passou pela Holanda nos pênaltis e perdeu novamente para a Alemanha.

Quando venceu a semifinal nos 90 minutos, o roteiro foi diferente. Em 1986, bateu a Bélgica por 2 a 0, com dois gols de Maradona, e depois foi campeã contra a Alemanha Ocidental. Em 2022, derrotou a Croácia por 3 a 0 e terminou o Mundial com a taça.

Agora em 2026, a Argentina voltou a vencer uma semifinal sem disputa de pênaltis: bateu a Inglaterra por 2 a 1. Para os supersticiosos, o padrão está lançado: quando a Argentina sofre até os pênaltis na semifinal, perde a final; quando resolve antes, levanta a Copa.

Mas nem tudo joga a favor

No meio de tanta superstição positiva, também há sinais que assustam os argentinos. O primeiro vem de uma repetição histórica: em 1982, a Argentina caiu cedo; em 1986, foi campeã; em 1990, chegou à final e perdeu.

Décadas depois, a sequência parece parecida: em 2018, caiu nas oitavas; em 2022, foi campeã; em 2026, chegou novamente à final. Se o paralelo seguir a lógica de 1990, o desfecho seria o vice.

FIFA

Foto: Divulgação/Fifa

Outra corrente negativa diz que, desde 2018, os finalistas estariam “descendo um degrau” a cada Copa.

Em 2018, a França foi campeã e a Croácia vice. Em 2022, a Argentina foi campeã, a França vice e a Croácia terceira. Se a brincadeira se repetir em 2026, a Argentina terminaria em segundo e a França em terceiro, caso vença a disputa contra a Inglaterra.

É claro que nada disso entra em campo. A final será decidida por Messi, Yamal, Rodri, Enzo, Scaloni, De la Fuente e por tudo que acontecer nos 90 minutos ou mais. Mas, para a Argentina, uma final de Copa é futebol, memória, camisa, rotina, presságio, medo e fé.

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