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Messi vai da quase aposentadoria ao sonho de um bi que não acontece desde 1962

Craque argentino viveu vices dolorosos, renúncia e agora pode fechar a trajetória com uma segunda Copa seguida

Foto: Divulgação/Fifa

A história de Lionel Messi pela Argentina parecia, por muito tempo, uma coleção de dores. Havia talento, gols, finais e idolatria mundial, mas faltava a cena que o país mais cobrava: o camisa 10 levantando uma taça pela seleção principal. Quase duas décadas depois do ouro olímpico em Pequim, Messi chega à final da Copa […]

A história de Lionel Messi pela Argentina parecia, por muito tempo, uma coleção de dores. Havia talento, gols, finais e idolatria mundial, mas faltava a cena que o país mais cobrava: o camisa 10 levantando uma taça pela seleção principal.

Quase duas décadas depois do ouro olímpico em Pequim, Messi chega à final da Copa do Mundo de 2026 contra a Espanha com uma trajetória completamente reescrita.

O que antes era frustração virou domínio, recorde e a chance de colocar a Argentina em um lugar que ninguém alcança desde o Brasil de Pelé e Garrincha em 1958 e 1962.

Messi tinha 21 anos quando ganhou seu primeiro título com a camisa argentina. Em 2008, liderou a seleção olímpica em Pequim e participou da campanha que terminou com vitória por 1 a 0 sobre a Nigéria na final, com gol de Ángel Di María no estádio Ninho do Pássaro.

Foto: Divulgação/Fifa

O peso das finais perdidas

O ouro olímpico parecia anunciar um caminho natural de glória. Mas, na seleção principal, a história tomou outro rumo.

A Argentina chegou à final da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, e perdeu para a Alemanha por 1 a 0, na prorrogação, no Maracanã. Messi foi eleito o melhor jogador do torneio, mas a imagem que ficou foi a de um craque olhando para a taça sem poder tocá-la.

File:Lionel Messi in tears after the final.jpg - Wikimedia Commons

Foto: Creative Commons

Depois vieram duas pancadas seguidas na Copa América. Em 2015, a Argentina perdeu a final para o Chile nos pênaltis. Em 2016, na Copa América Centenário, caiu novamente para os chilenos, outra vez nas penalidades. A derrota em East Rutherford foi o ponto mais baixo da relação entre Messi e a seleção.

Após o jogo, ele anunciou que deixaria a Argentina. Messi disse que a seleção havia acabado para ele. Era a quarta final perdida pelo camisa 10 com a equipe principal, contando Copa América de 2007, Copa do Mundo de 2014 e as decisões continentais de 2015 e 2016.

Lionel Messi

Foto: Reprodução

O retorno e a classificação dramática para 2018

A aposentadoria, porém, não durou. Messi voltou e carregou a Argentina em um dos momentos mais tensos da história recente da seleção. Nas Eliminatórias para a Copa de 2018, a equipe chegou à última rodada em risco real de ficar fora do Mundial.

File:ECUADOR VS ARGENTINA (36956136633).jpg - Wikimedia Commons

Foto: Creative Commons

Contra o Equador, em Quito, a Argentina saiu atrás logo no início. Messi respondeu com três gols, virou o jogo para 3 a 1 e garantiu a vaga na Rússia. Foi a noite em que um hat-trick de Messi impediu a Argentina de perder uma Copa pela primeira vez desde 1970.

Na Copa de 2018, porém, a Argentina ainda era uma seleção partida. O time caiu nas oitavas de final para a França, em um jogo de caos, fragilidade defensiva e eliminação. O ciclo parecia sem direção. Foi nesse cenário que Lionel Scaloni entrou.

A chegada de Scaloni mudou tudo

Depois da saída de Jorge Sampaoli, Scaloni assumiu a seleção de forma interina em 2018, ao lado de Pablo Aimar. Naquele momento, era uma aposta sem glamour. Não tinha carreira grande como treinador e parecia apenas uma solução de transição.

Mas a Argentina encontrou ali o ponto de virada. Scaloni reorganizou o ambiente, reduziu o peso sobre Messi e formou uma base mais competitiva ao redor do camisa 10. A seleção deixou de depender apenas do gênio e passou a ter estrutura clara.

CONMEBOL Copa América 2021™: Argentina alcança a glória após 28 anos

Foto: Divulgação/CONMEBOL

O primeiro grande resultado veio em 2021. A Argentina venceu o Brasil por 1 a 0 no Maracanã, com gol de Di María, e conquistou a Copa América. Foi o primeiro título de Messi pela seleção principal e encerrou um jejum argentino de 28 anos sem taças.

A sequência de títulos

A Copa América de 2021 abriu a porteira. Em 2022, a Argentina venceu a Itália por 3 a 0 em Wembley e conquistou a Finalíssima, torneio entre os campeões da América do Sul e da Europa. Lautaro Martínez, Di María e Paulo Dybala marcaram, em mais uma atuação dominante de uma seleção que já parecia pronta para algo maior.

O antecedente da última Finalissima

Foto: Divulgação/CONMEBOL

Meses depois, veio o Catar. A Argentina começou a Copa de 2022 com derrota para a Arábia Saudita, mas transformou o tropeço em combustível. Messi liderou a equipe até a final contra a França, marcou duas vezes na decisão e finalmente levantou a Copa do Mundo após vitória nos pênaltis.

LUSAIL CITY, QATAR - DECEMBER 18: Lionel Messi of Argentina celebrates with the World Cup Trophy during the FIFA World Cup Qatar 2022 Final match between Argentina and France at Lusail Stadium on December 18, 2022 in Lusail City, Qatar. (Photo by Marc Atkins/Getty Images)

Foto: Divulgação/Fifa

Em 2024, a seleção voltou a vencer. A Argentina bateu a Colômbia por 1 a 0 na final da Copa América, com gol de Lautaro Martínez na prorrogação, e chegou ao 16º título continental. Messi saiu machucado durante a partida, chorou no banco, mas terminou a noite erguendo mais uma taça.

Argentina é a maior campeã da história da Copa América! – CONMEBOL

Foto: Divulgação/CONMEBOL

A Copa de 2026 e os recordes de Messi

Aos 39 anos, Messi chegou à Copa de 2026 em uma condição rara: não mais como o craque pressionado a provar tudo, mas como o líder de uma seleção campeã que tenta defender o próprio trono. Mesmo assim, continuou quebrando marcas.

Na campanha até a final contra a Espanha, Messi soma oito gols e quatro assistências, empatado na artilharia do torneio com Mbappé. A Argentina chega à decisão com 17 jogadores que também fizeram parte do elenco campeão em 2022, em uma campanha mais sofrida do que dominante, mas novamente sustentada por momentos decisivos do camisa 10.

ATLANTA, GEORGIA - JULY 07: Lionel Messi #10 of Argentina is tossed into the air as he celebrates with teammates after the, 3-2, win during the FIFA World Cup 2026 Round of 16 match between Argentina and Egypt at Atlanta Stadium on July 07, 2026 in Atlanta, Georgia. (Photo by Patrick Smith - FIFA/FIFA via Getty Images)

Foto: Divulgação/Fifa

Messi também ampliou uma lista histórica de recordes em Copas. Ele chegou a 21 gols, tornou-se o maior artilheiro da história dos Mundiais, passou a marca de 30 jogos disputados, ampliou o recorde de partidas como capitão e também se tornou o jogador com mais vitórias no torneio.

Após a semifinal contra a Inglaterra, Messi chegou a 31 partidas em Copas do Mundo e a 33 participações diretas em gol, com 21 gols e 12 assistências. A marca reforça o tamanho de uma trajetória que começou em 2006 e atravessa seis edições do torneio.

O possível bicampeonato que mudaria tudo

Agora, contra a Espanha, Messi joga por algo ainda maior do que mais uma taça. A Argentina tenta ser a primeira seleção a vencer duas Copas seguidas desde o Brasil, campeão em 1958 e 1962. Se conseguir, será apenas o terceiro país da história a alcançar o feito, depois de Itália e Brasil.

Para Messi, o impacto seria gigantesco. Ele já tem Copa do Mundo, Copa América, Finalíssima, ouro olímpico, recordes individuais e uma coleção de títulos que poucos jogadores chegaram perto de reunir. Um bicampeonato mundial colocaria sua trajetória pela Argentina em um patamar quase inacessível.

FIFA

Foto: Divulgação/Fifa

O mesmo jogador que anunciou aposentadoria da seleção em 2016 chega a 2026 como símbolo de uma era vencedora. O mesmo país que parecia carregar Messi como uma cobrança agora o acompanha como uma extensão emocional.

A final contra a Espanha pode ser o último jogo de Messi em Copas. Pode ser também o capítulo que fecha a transformação mais improvável do futebol recente: de craque condenado pelos vices a capitão de uma Argentina que tenta fazer o que ninguém fez em 64 anos.

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