A história de Lionel Messi pela Argentina parecia, por muito tempo, uma coleção de dores. Havia talento, gols, finais e idolatria mundial, mas faltava a cena que o país mais cobrava: o camisa 10 levantando uma taça pela seleção principal. Quase duas décadas depois do ouro olímpico em Pequim, Messi chega à final da Copa […]
A história de Lionel Messi pela Argentina parecia, por muito tempo, uma coleção de dores. Havia talento, gols, finais e idolatria mundial, mas faltava a cena que o país mais cobrava: o camisa 10 levantando uma taça pela seleção principal.
Quase duas décadas depois do ouro olímpico em Pequim, Messi chega à final da Copa do Mundo de 2026 contra a Espanha com uma trajetória completamente reescrita.
O que antes era frustração virou domínio, recorde e a chance de colocar a Argentina em um lugar que ninguém alcança desde o Brasil de Pelé e Garrincha em 1958 e 1962.
Messi tinha 21 anos quando ganhou seu primeiro título com a camisa argentina. Em 2008, liderou a seleção olímpica em Pequim e participou da campanha que terminou com vitória por 1 a 0 sobre a Nigéria na final, com gol de Ángel Di María no estádio Ninho do Pássaro.

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O peso das finais perdidas
O ouro olímpico parecia anunciar um caminho natural de glória. Mas, na seleção principal, a história tomou outro rumo.
A Argentina chegou à final da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, e perdeu para a Alemanha por 1 a 0, na prorrogação, no Maracanã. Messi foi eleito o melhor jogador do torneio, mas a imagem que ficou foi a de um craque olhando para a taça sem poder tocá-la.

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Depois vieram duas pancadas seguidas na Copa América. Em 2015, a Argentina perdeu a final para o Chile nos pênaltis. Em 2016, na Copa América Centenário, caiu novamente para os chilenos, outra vez nas penalidades. A derrota em East Rutherford foi o ponto mais baixo da relação entre Messi e a seleção.
Após o jogo, ele anunciou que deixaria a Argentina. Messi disse que a seleção havia acabado para ele. Era a quarta final perdida pelo camisa 10 com a equipe principal, contando Copa América de 2007, Copa do Mundo de 2014 e as decisões continentais de 2015 e 2016.

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O retorno e a classificação dramática para 2018
A aposentadoria, porém, não durou. Messi voltou e carregou a Argentina em um dos momentos mais tensos da história recente da seleção. Nas Eliminatórias para a Copa de 2018, a equipe chegou à última rodada em risco real de ficar fora do Mundial.

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Contra o Equador, em Quito, a Argentina saiu atrás logo no início. Messi respondeu com três gols, virou o jogo para 3 a 1 e garantiu a vaga na Rússia. Foi a noite em que um hat-trick de Messi impediu a Argentina de perder uma Copa pela primeira vez desde 1970.
Na Copa de 2018, porém, a Argentina ainda era uma seleção partida. O time caiu nas oitavas de final para a França, em um jogo de caos, fragilidade defensiva e eliminação. O ciclo parecia sem direção. Foi nesse cenário que Lionel Scaloni entrou.
A chegada de Scaloni mudou tudo
Depois da saída de Jorge Sampaoli, Scaloni assumiu a seleção de forma interina em 2018, ao lado de Pablo Aimar. Naquele momento, era uma aposta sem glamour. Não tinha carreira grande como treinador e parecia apenas uma solução de transição.
Mas a Argentina encontrou ali o ponto de virada. Scaloni reorganizou o ambiente, reduziu o peso sobre Messi e formou uma base mais competitiva ao redor do camisa 10. A seleção deixou de depender apenas do gênio e passou a ter estrutura clara.

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O primeiro grande resultado veio em 2021. A Argentina venceu o Brasil por 1 a 0 no Maracanã, com gol de Di María, e conquistou a Copa América. Foi o primeiro título de Messi pela seleção principal e encerrou um jejum argentino de 28 anos sem taças.
A sequência de títulos
A Copa América de 2021 abriu a porteira. Em 2022, a Argentina venceu a Itália por 3 a 0 em Wembley e conquistou a Finalíssima, torneio entre os campeões da América do Sul e da Europa. Lautaro Martínez, Di María e Paulo Dybala marcaram, em mais uma atuação dominante de uma seleção que já parecia pronta para algo maior.

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Meses depois, veio o Catar. A Argentina começou a Copa de 2022 com derrota para a Arábia Saudita, mas transformou o tropeço em combustível. Messi liderou a equipe até a final contra a França, marcou duas vezes na decisão e finalmente levantou a Copa do Mundo após vitória nos pênaltis.
Foto: Divulgação/Fifa
Em 2024, a seleção voltou a vencer. A Argentina bateu a Colômbia por 1 a 0 na final da Copa América, com gol de Lautaro Martínez na prorrogação, e chegou ao 16º título continental. Messi saiu machucado durante a partida, chorou no banco, mas terminou a noite erguendo mais uma taça.

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A Copa de 2026 e os recordes de Messi
Aos 39 anos, Messi chegou à Copa de 2026 em uma condição rara: não mais como o craque pressionado a provar tudo, mas como o líder de uma seleção campeã que tenta defender o próprio trono. Mesmo assim, continuou quebrando marcas.
Na campanha até a final contra a Espanha, Messi soma oito gols e quatro assistências, empatado na artilharia do torneio com Mbappé. A Argentina chega à decisão com 17 jogadores que também fizeram parte do elenco campeão em 2022, em uma campanha mais sofrida do que dominante, mas novamente sustentada por momentos decisivos do camisa 10.
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Messi também ampliou uma lista histórica de recordes em Copas. Ele chegou a 21 gols, tornou-se o maior artilheiro da história dos Mundiais, passou a marca de 30 jogos disputados, ampliou o recorde de partidas como capitão e também se tornou o jogador com mais vitórias no torneio.
Após a semifinal contra a Inglaterra, Messi chegou a 31 partidas em Copas do Mundo e a 33 participações diretas em gol, com 21 gols e 12 assistências. A marca reforça o tamanho de uma trajetória que começou em 2006 e atravessa seis edições do torneio.
O possível bicampeonato que mudaria tudo
Agora, contra a Espanha, Messi joga por algo ainda maior do que mais uma taça. A Argentina tenta ser a primeira seleção a vencer duas Copas seguidas desde o Brasil, campeão em 1958 e 1962. Se conseguir, será apenas o terceiro país da história a alcançar o feito, depois de Itália e Brasil.
Para Messi, o impacto seria gigantesco. Ele já tem Copa do Mundo, Copa América, Finalíssima, ouro olímpico, recordes individuais e uma coleção de títulos que poucos jogadores chegaram perto de reunir. Um bicampeonato mundial colocaria sua trajetória pela Argentina em um patamar quase inacessível.
Foto: Divulgação/Fifa
O mesmo jogador que anunciou aposentadoria da seleção em 2016 chega a 2026 como símbolo de uma era vencedora. O mesmo país que parecia carregar Messi como uma cobrança agora o acompanha como uma extensão emocional.
A final contra a Espanha pode ser o último jogo de Messi em Copas. Pode ser também o capítulo que fecha a transformação mais improvável do futebol recente: de craque condenado pelos vices a capitão de uma Argentina que tenta fazer o que ninguém fez em 64 anos.
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