Luis de la Fuente chega à final da Copa do Mundo de 2026 como a prova de que seleção também se constrói com tempo, base e continuidade. Antes de comandar Lamine Yamal, Rodri, Pedri, Nico Williams e companhia na decisão contra a Argentina, o treinador passou mais de uma década dentro da federação espanhola, formando […]
Luis de la Fuente chega à final da Copa do Mundo de 2026 como a prova de que seleção também se constrói com tempo, base e continuidade.
Antes de comandar Lamine Yamal, Rodri, Pedri, Nico Williams e companhia na decisão contra a Argentina, o treinador passou mais de uma década dentro da federação espanhola, formando gerações e acumulando títulos nas categorias inferiores.
A trajetória é quase o oposto do caminho de muitos treinadores de elite. De la Fuente não virou nome mundial por grandes títulos em clubes.
Chegou ao topo por conhecer a estrutura da Espanha por dentro, acompanhar jogadores desde jovens e transformar esse processo em uma seleção competitiva, vertical e campeã.
O início na base
De la Fuente entrou na estrutura da federação espanhola em 2013, depois de trabalhos discretos em clubes e de um período sem equipe após passagem pelo Alavés, na terceira divisão espanhola. A partir dali, encontrou o ambiente em que construiria sua carreira.
O primeiro grande título veio com a Espanha sub-19, em 2015. Naquela geração, já apareciam jogadores que mais tarde seriam importantes na seleção principal, como Rodri, Unai Simón e Mikel Merino.
Depois do sucesso no sub-19, De la Fuente foi promovido ao sub-21 em 2018. No ano seguinte, venceu o Campeonato Europeu da categoria, derrotando a Alemanha na final.
Em seguida, comandou a Espanha olímpica nos Jogos de Tóquio. A equipe ficou com a medalha de prata em 2021, em mais um torneio em que De la Fuente trabalhou com nomes que depois se aproximariam da seleção principal. No currículo das categorias de base, ele ainda tem o ouro nos Jogos do Mediterrâneo de 2018.
A chegada à seleção principal
A oportunidade na equipe principal veio em dezembro de 2022, depois da saída de Luis Enrique após a Copa do Mundo do Catar. A escolha foi recebida com desconfiança por parte da torcida e da imprensa, justamente porque De la Fuente não tinha o peso de um grande treinador de clubes.
O tempo mostrou outra leitura. A Espanha apostou em alguém que conhecia a federação, os jogadores e a cultura local. Em vez de buscar um nome de impacto no mercado, manteve a lógica de continuidade.
O primeiro título veio rápido. Em 2023, De la Fuente levou a Espanha à conquista da Uefa Nations League, encerrando um jejum de mais de uma década da seleção principal sem taças.
A Eurocopa de 2024 mudou o patamar
O trabalho ganhou reconhecimento definitivo na Eurocopa de 2024. A Espanha foi campeã com uma equipe mais direta, mais agressiva pelos lados e menos presa ao modelo clássico de posse que marcou a geração de 2008 a 2012.
De la Fuente manteve a identidade técnica espanhola, mas acrescentou velocidade. Lamine Yamal e Nico Williams deram amplitude e desequilíbrio. Foi uma Espanha menos previsível e mais adaptada ao futebol atual.
A final contra a Inglaterra consolidou o treinador. A partir dali, De la Fuente deixou de ser apenas “o técnico vindo da base” e passou a ser o comandante de uma nova geração espanhola.
A Copa de 2026 e a confirmação do projeto
Na Copa do Mundo de 2026, a Espanha confirmou que o título europeu não foi acaso. A equipe chegou à final depois de eliminar Portugal, Bélgica e França no mata-mata, sempre com uma estrutura coletiva forte e sem depender apenas de um jogador.
Na semifinal, venceu a França por 2 a 0 e derrubou uma das seleções mais fortes do torneio. O resultado colocou De la Fuente diante do maior jogo da carreira: a final contra a Argentina de Lionel Messi, no domingo (19), em Nova Jersey.
O duelo também terá peso simbólico. De la Fuente enfrentará Scaloni, outro treinador que cresceu dentro de um projeto de seleção e não chegou ao topo por uma grande carreira em clubes.
O segredo: conhecer a geração antes de ela virar estrela
O maior trunfo de De la Fuente é ter trabalhado com parte dessa geração antes do estrelato. Ele acompanhou jogadores nas categorias inferiores, entendeu perfis e chegou à seleção principal com repertório sobre o futebol espanhol.
Esse vínculo ajuda a explicar a naturalidade da Espanha atual. O time não parece um amontoado de talentos reunidos às pressas. Parece uma seleção com processo. Há ideias claras: pressão coordenada, meio-campo forte, pontas agressivos, laterais participativos e capacidade de acelerar sem perder organização.
De la Fuente não abandonou a escola espanhola. Ele atualizou essa escola.
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