O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) anunciou a suspensão de sua ajuda a afegãos que retornam ao país, devido à proibição imposta pelo Talibã que impede funcionárias locais de trabalharem. A decisão foi comunicada nesta quinta-feira, 9 de setembro, e reflete a impossibilidade de coletar informações sobre os migrantes, especialmente as mulheres, que representam 52% dos retornados.
Desde o final de 2023, mais de quatro milhões de afegãos foram forçados a voltar ao Afeganistão, principalmente vindos do Paquistão e Irã. O ACNUR destacou que, sem a presença de funcionárias femininas, é inviável realizar entrevistas e obter dados essenciais sobre essa população. A agência está em diálogo com o governo do Talibã, mas não obteve resposta imediata das autoridades sobre a situação.
As restrições às mulheres afegãs têm se intensificado desde a retomada do poder pelo Talibã em 2021. Elas foram proibidas de trabalhar em diversos setores, frequentar parques, salões de beleza e até mesmo escolas a partir dos 12 anos. Recentemente, funcionárias afegãs da ONU foram impedidas de acessar as instalações da organização em Cabul, uma situação que se repetiu em várias localidades do país, conforme notificado pela Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama).
A suspensão da ajuda humanitária pelo ACNUR representa um novo desafio para os afegãos que retornam ao país, em um contexto já marcado por severas limitações e crises humanitárias.
Entre na conversa da comunidade