A Tanzânia enfrenta uma grave crise política e humanitária após as eleições presidenciais realizadas na última quarta-feira, 28 de outubro. O partido de oposição Chadema denunciou que pelo menos 700 pessoas morreram em três dias de protestos contra o governo, que tem sido acusado de repressão e fraude eleitoral. As manifestações começaram no dia da votação, quando a oposição foi excluída do processo eleitoral.
As cidades de Dar es Salaam e Mwanza foram as mais afetadas, com relatos de 350 mortes em Dar es Salaam e mais de 200 em Mwanza, segundo John Kitoka, porta-voz do Chadema. A ONG Amnistia Internacional confirmou a morte de ao menos 100 pessoas. As forças de segurança, em resposta aos protestos, teriam utilizado balas reais, conforme relatos de testemunhas.
Repressão e Toque de Recolher
Diante da escalada de violência, o governo da presidente Samia Suluhu Hassan impôs um toque de recolher e restringiu o acesso à internet. A situação se agravou com relatos de desaparecimentos forçados e detenções de opositores, incluindo o líder do Chadema, Tundu Lissu, que está preso sob acusações de traição.
A Comissão Eleitoral começou a divulgar resultados parciais, com Suluhu Hassan recebendo mais de 90% dos votos. A oposição contestou esses números, classificando-os como fraudulentos e exigindo a suspensão da divulgação. Chadema clama por um governo de transição que assegure eleições livres e justas.
Contexto Político
Suluhu Hassan assumiu a presidência em 2021, após a morte de John Magufuli. Inicialmente, ela buscou um diálogo com a oposição, mas a aproximação das eleições trouxe à tona um comportamento autoritário por parte do governo. A repressão a ativistas e opositores tem sido uma constante, levantando preocupações sobre a violação dos direitos humanos no país.
As agências internacionais, incluindo a ONU, pedem contenção e respeito aos direitos dos manifestantes. A situação continua a evoluir, com a comunidade internacional observando atentamente os desdobramentos em Tanzânia.
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