Abdulah al Akhras era um jovem de Bursa, na Turquia, que trabalhava em uma fábrica têxtil. Antes de morrer, ele sonhava com refúgio na Alemanha e era visto como alguém simpático e sem maldade pela família. A história dele ganhou destaque com a divulgação de documentos do Damascus Dossier.
O cadáver degradado de Al Akhras ficou sob custódia síria por oito meses após sua deportação pela Turquia. Seu corpo, já à beira da decomposição, foi enterrado pela família sem autópsia por medo de represálias. Ele tinha 32 anos.
Os documentos 852/Sh, sob a Polícia Militar, compõem o conjunto de evidências revelado pelo Damascus Dossier, coordenado pelo ICIJ com a participação de 25 meios, incluindo EL PAÍS. As fotos vazadas expõem falhas humanitárias e a política de externalização de fronteiras da UE com a Turquia.
Implicações da externalização de fronteiras
A investigação aponta que a UE financiou cerca de 1 bilhão de euros para estruturas de detenção e deportação geridas com a Turquia, contribuindo para devoluções de migrantes a países de origem. O caso de Al Akhras é apresentado como símbolo das falhas de proteção a populações vulneráveis.
Viúva de Al Akhras, Marwa, de 32 anos, afirma que ele buscava segurança na Turquia, onde não estava protegido. Ela ressalta que autoridades sabiam do risco caso fosse deportado de volta à Síria. A matéria ressalta o contexto de deslocamento forçado e riscos para detentos.
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