O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, reiterou nesta visita a Dhaka o interesse de formar um novo bloco regional com Bangladesh e China, sem a Índia. A ideia foi discutida pela primeira vez em Kunming, em junho, com o objetivo de evitar a SAARC.
O conceito, criado originalmente para promover cooperação regional, surge em meio ao desgaste das relações entre Índia e Bangladesh, e entre Índia e China. A SAARC está praticamente paralisada desde 2014, com a última cúpula realizada em Kathmandu.
A proposta visa ampliar conectividade e cooperação econômica, mas enfrenta dúvidas sobre adesão de outros países do sul da Ásia. Observadores veem risco de isolar ainda mais a Índia e de reduzir espaço para diálogo regional.
Contexto histórico
SAARC foi formada em Dhaka, 1985, para espelhar a ASEAN, com Bangladesh, Bhutan, Índia, Maldives, Nepal, Paquistão e Sri Lanka; Afeganistão ingressou em 2007. A organização jamais encontrou funcionamento pleno ao longo das décadas.
Historicamente, a Índia teve ceticismo quanto a blocos regionais menores, temendo coalisões contra seu protagonismo. Ainda assim, encontros informais entre Índia e Paquistão ocorreram ao lado de reuniões da SAARC.
Implicações regionais
A relação de Dhaka com Islamabad se tornou mais estreita nos últimos anos, inclusive com retomada de laços militares. Caso se consolide, o novo eixo China-Paquistão-Bangladesh pode mudar a dinâmica de alianças no subcontinente.
Mesmo com sinalizações, resta a dúvida sobre adesão de outras nações, diante de ligações já firmes com a Índia. A viabilidade de um bloco maior permanece incerta, especialmente diante de tensões entre Índia e China.
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