Ex-jogador da seleção paraguaia de basquete, o vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, assumiu o comando do país depois de o Congresso destituir o presidente Santiago Peña nesta sexta-feira (6). Enquanto a cerimônia de posse acontecia, Peña foi preso em sua residência particular, em Assunção, por determinação judicial.
O impeachment ocorreu por causa da crise do Ueno Bank, um dia depois de o Legislativo rejeitar a renúncia apresentada por Peña. Com isso, ele se tornou o segundo presidente eleito democraticamente no país a perder o mandato em um julgamento político, depois de Fernando Lugo, em 2012.
Aos 52 anos, Alliana tem mais de duas décadas de carreira no Partido Colorado, com passagens pelo governo de um departamento, pela Câmara dos Deputados e pela direção nacional da legenda. Na prática, pela Constituição paraguaia, o vice-presidente assume o cargo em caso de vacância.
O ex-ministro da Saúde Pública e Bem-Estar em 2018, Antonio Barrios assume como vice-presidente de Alliana.
Do basquete à política
Alliana nasceu em 19 de fevereiro de 1974, em Pilar, no departamento de Ñeembucú, no sul do Paraguai. Antes de entrar na política, trabalhou no comércio e jogou basquete, chegando inclusive a integrar a seleção paraguaia.
Já a carreira política começou em 2006, quando ele disputou, sem sucesso, a prefeitura de Pilar. Dois anos depois, foi eleito governador de Ñeembucú, cargo que ocupou até 2012. Em seguida, chegou à Câmara dos Deputados, onde presidiu a Casa em diferentes períodos entre 2019 e 2022.
Além disso, Alliana comandou o Partido Colorado entre 2015 e 2023. Nesse período, se aproximou do movimento Honor Colorado, liderado pelo ex-presidente Horacio Cartes. Por fim, em 2023, foi escolhido vice na chapa de Peña. Os dois venceram a eleição e tomaram posse em 15 de agosto daquele ano, para um mandato até 2028.
+ Da crise à renúncia: entenda o que levou Santiago Peña a deixar o poder
A queda de Peña
O impeachment de Peña teve apoio praticamente unânime nas duas Casas do Congresso. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, 78 parlamentares votaram a favor do processo. Já no Senado, 44 dos 45 senadores estavam presentes na sessão que aprovou a destituição. Apenas o senador Enrique Riera, do Partido Colorado, não compareceu.
Antes disso, na quinta-feira, Peña tinha apresentado sua renúncia em meio à crise do Ueno Bank, que teve os serviços suspensos e os depósitos de cerca de 3 milhões de clientes congelados.
“Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à presidência da República (…) quero pedir desculpas ao povo se, em algum momento, falhei”, disse na ocasião.
Se a renúncia tivesse sido aceita, Peña poderia se tornar senador vitalício, cargo que garante imunidade parlamentar. Com a destituição, no entanto, ele perde esse direito. Isso porque a oposição argumentou que ele não deveria ter a imunidade, diante da possibilidade de responder na Justiça pelas suspeitas ligadas ao caso.
+ Ministério Público do Paraguai abre investigação contra Santiago Peña
Vale lembrar que o pedido de impeachment apontava supostos conflitos de interesse e questionava a gestão de recursos da Previdência e a relação do governo com o Ueno Bank. Para destituir um presidente ou vice no Paraguai, são necessários os votos de dois terços dos deputados e, depois, de dois terços dos senadores.
Entre na conversa da comunidade