O presidente da Rússia, Vladimir Putin, sinalizou a possibilidade de revisar o mapa de controle na Ucrânia durante uma reunião no Kremlin com empresários russos, em 24 de dezembro. O relato é do jornal Kommersant, que aponta que Putin manteve posição de exigir o Donbas na íntegra, ao mesmo tempo em que não descartou uma troca parcial de territórios fora dessa região. A reunião teria ocorrido à noite.
Segundo o Kommersant, Putin afirmou que o lado russo poderia aceitar concessões já feitas anteriormente, mantendo como objetivo principal o controle total do Donbas. O jornal frisa que, além do Donbas, o dirigente russo indicou abertas as portas para negociações sobre trocas de territórios fora dessa área. A informação é apresentada como relato de uma reunião com empresários.
O noticioso russo também associa a leitura de Putin a um contexto de negociações internacionais, com menções a encontros prévios em Anchorage e aos desdobramentos em Miami envolvendo Ucrânia e EUA. A reportagem cita ainda a participação de representantes de Donald Trump e de seus aliados nas tratativas com Rússia, Ucrânia e potências europeias, sem detalhar os conteúdos acordados.
Cenário estratégico e pontos centrais
O Kommersant lista o que a Rússia considera como base para um possível acordo: controle da Crimeia permanece inalterado desde 2014, e a Rússia manteria grande parte de Donbas, além de território em Zaporizhzhia, Kherson, Kharkiv, Sumy, Mykolaiv e Dnipropetrovsk, conforme estimativas oficiais do governo russo.
Putin repetiu, em declarações anteriores de 19 de dezembro, que qualquer acordo deveria exigir retirada da Ucrânia de Donbas, Zaporizhzhia e Kherson, além de Kiev renunciar formalmente à adesão à Otan. Também foi discutida, segundo o Kommersant, a possibilidade de uma administração conjunta da usina nuclear de Zaporizhzhia, controlada atualmente por forças russas.
Avanços e perspectivas
Na Ucrânia, o presidente Volodymyr Zelenskiy afirmou que as delegações ucraniana e norte-americana avançaram em um plano de 20 pontos durante conversas de fim de semana em Miami, embora ainda sem consenso sobre a cessão de territórios de Donbas ou sobre o futuro da usina de Zaporizhzhia. A informação foi divulgada pelo gabinete de Zelenskiy.
Nos EUA, o presidente Donald Trump tem destacado a promessa de encerrar o conflito, com negociações contatadas por Steve Witkoff e Jared Kushner. Detalhes completos das propostas norte-americanas não foram tornados públicos, mas autoridades russas mencionaram entendimentos prévios com Putin e Trump em Anchorage, em agosto.
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