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Kiwi Chow, diretor dissidente em Hong Kong, fala sobre destruir sua carreira

Censura de Deadline evidencia pressão sobre cineastas dissidentes em Hong Kong, com Kiwi Chow afirmando que autoridades buscam destruir sua carreira criativa

Kiwi Chow: ‘It’s ridiculous that I can still live in Hong Kong without being in jail.’ Photograph: Billy H.C. Kwok/The Guardian
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O diretor Kiwi Chow enfrenta dificuldades crescentes para lançar seu novo filme em Hong Kong. Deadline, sobre a pressão acadêmica entre estudantes, teve a aprovação de exibição recusada pela autoridade de censura local por questões de segurança nacional. Chow afirma que a decisão é um peso pessoal, apontando um efeito sobre sua carreira criativa.

Chow, de 46 anos, tornou-se uma voz conhecida por obras que exploram o dinamismo político de Hong Kong, como Ten Years (2015) e Revolution of Our Times (2021). O novo filme foi rodado em Taiwan e recebido com expectativa no circuito internacional, mas não conseguiu chegar ao público local.

A recusa ocorreu em 12 de dezembro, em meio a um contexto de endurecimento das regras de segurança nacional. O cineasta afirmou que não vai recorrer da decisão, classificada como inútil pela própria razão de ser do processo.

Para Chow, a medida revela um objetivo de pressionar o criador e demonstrar um precedente sobre o que pode ser exibido. Ele descreve a situação como injusta e diz que continuará a perseguir sua trajetória cinematográfica apesar das adversidades.

Especialista de cinema, Shelly Kraicer observa que Chow não evita abordar abertamente as limitações impostas pela gestão, destacando o foco político em seus trabalhos. Kraicer ressalta um viés das autoridades em controlar o que pode ser mostrado.

O caso acontece após o incêndio no Wang Fuk Court, em novembro, que deixou dezenas de mortos e acionou críticas à atuação governamental. A tragédia ocorreu pouco tempo antes das eleições para o Conselho Legislativo de Hong Kong, marcadas por regras que exigiram candidatos aprovados pelo governo, com participação eleitoral próxima de 32%.

Chow também tem se manifestado sobre a gestão pública do desastre, criticando supostas falhas de fiscalização, corrupção e procedimentos de construção. Ele já havia usado sua plataforma para questionar padrões profissionais sob o regime de segurança nacional.

A investigação oficial sobre o incêndio envolve várias inscrições de responsabilização, com prisões de pessoas ligadas a obras de renovação. A administração municipal continua a apurar as causas, incluindo possíveis ligações entre autoridades e empresas.

Enquanto o governo de Hong Kong reforça o tom de segurança, Chow permanece na cidade e sustenta que a pressão não deve silenciar a criação artística. Ele aponta que, mesmo diante do risco, manter a produção é um caminho preferido para preservar a voz crítica.

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