O ataque dos EUA a Nicolás Maduro, na Venezuela, gerou uma mobilização internacional e provocou críticas da China. Analistas veem a ação como um elemento que pode enfraquecer a ordem baseada em regras e favorecer argumentos de Beijing sobre disputas territoriais. No entanto, não apontam indícios de uma invasão iminente de Taiwan.
Beijing qualificou a ofensiva como violação do direito internacional e pediu a libertação de Maduro e de sua mulher, detidos em Nova York. Em Caracas, Maduro recebeu uma delegação chinesa pouco antes de ser capturado, conforme imagens postadas por ele nas redes. Autoridades chinesas não comentaram formalmente o paradeiro da delegação.
A avaliação de analistas é de que a operação norte-americana oferece “munição barata” para a China fortalecer críticas aos EUA em temas como Taiwan e Mar do Sul da China. Mesmo assim, avaliam que Beijing não deve usar o episódio como precedente para ação militar contra Taiwan no curto prazo.
Contexto e leituras dos especialistas
Segundo especialistas, a timeline de Xi Jinping para Taiwan permanece distinta da situação na América Latina, sendo fortemente influenciada pela conjuntura interna da China. O episódio pode, em curto prazo, ampliar o espaço de propaganda para a defesa de posições chinesas no cenário internacional.
Wang Ting-yu, parlamentar de Taiwan, reiterou que China não tem meios viáveis para replicar a ofensiva contra Maduro. Acrescentou que Taiwan é diferente de Venezuela e que a China teria de superar limitações técnicas para qualquer movimento militar contra a ilha.
Beijing já havia intensificado seus exercícios ao redor de Taiwan recentemente, numa mostra de capacidade de bloqueio de apoio externo. Analistas dizem que isso eleva riscos para Taipei, embora não sinalizem uma escalada imediata, com foco na estratégia de China de apresentar-se como defensor de paz e desenvolvimento.
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