A administração do presidente Donald Trump anunciou a retirada dos Estados Unidos de dezenas de entidades internacionais, entre elas órgãos ligados à ONU e um tratado climático. O movimento foi apresentado por meio de um memorando interno, no qual o governo afirma que as entidades atuam contrariamente aos interesses norte-americanos.
Entre os grupos citados, aparecem 35 organizações não pertencentes à ONU e 31 entidades ligadas ao organismo. A lista inclui a Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança Climática, base para o Acordo de Paris, que tem sido considerada central para o tema do clima.
Pela primeira vez em três décadas, os EUA não participaram da cúpula climática internacional da ONU realizada em 2025, no Brasil. A participação norte-americana já era vista como essencial para influenciar negociações e oportunidades econômicas associadas ao tema.
Mudanças estratégicas
A Casa Branca informou que as entidades das Nações Unidas deverão cessar participação ou financiamento, na medida permitida pela lei, com o objetivo de reduzir a exposição de recursos norte-americanos a agendas consideradas globalistas ou alheias às prioridades do país.
Entre as organizações alvo, constam a UN Women, dedicada à igualdade de gênero, o UNFPA, fundo de população da ONU, além de outras entidades como a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, o Fórum Internacional de Energia e a Comissão de Construção da Paz.
A medida reforça a desconfiança histórica da gestão Trump em relação a instituições multilaterais, com questionamentos sobre eficácia, custos e responsabilidade. O governo diz que a revisão abrange organizações intergovernamentais, tratados e convenções.
Reação internacional
Um porta-voz da ONU não respondeu a pedidos de comentário sobre a decisão. Especialistas ouvidos pela imprensa ressaltam que a participação em fóruns multilaterais é considerada uma ferramenta para moldar políticas e abrir oportunidades econômicas, ainda que haja discordâncias com o papel de instituições globais.
A administração afirma que a retirada não representa apenas uma mudança financeira, mas uma reavaliação mais ampla de como os EUA devem se engajar em estruturas internacionais. O objetivo, segundo o governo, é alinhar o envolvimento com prioridades nacionais e evitar gastos que não gerem benefícios diretos.
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