Agricultores franceses iniciaram bloqueios antes do amanhecer em vias que dão acesso a Paris e em pontos turísticos, protestando contra o acordo UE-Mercosul e contra questões locais ligadas à agropecuária.
Sindicatos de agricultores convocaram as ações diante do temor de que o acordo de livre comércio aumente as importações de alimentos a baixo custo na UE e pela forma de lidar com a doença que atinge o gado. A mobilização também critica políticas do governo.
Os bloqueios envolveram invasão de barreiras policiais, passagem pela Champs-Élysées e bloqueio ao Arco do Triunfo, com a polícia cercando os manifestantes.
Dezenas de tratores restringiram o fluxo nas estradas rumo à capital, incluindo a A13, ligando Paris aos subúrbios ocidentais e à Normandia, gerando cerca de 150 quilômetros de engarrafamentos, segundo o ministro dos Transportes.
Votação na UE
A mobilização aumenta a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron, um dia antes da votação dos Estados-membros da UE sobre o acordo. Sem maioria no parlamento, um erro político pode abrir espaço para voto de desconfiança.
A França tem sido opositor(a) ao acordo, ainda que a Comissão Europeia tenha apresentado concessões. Nesta semana, a Comissão também propôs disponibilizar 45 bilhões de euros para o setor agrícola no próximo orçamento e reduzir taxas de importação de alguns fertilizantes para conquistar membros hesitantes.
O acordo conta com o apoio de Alemanha e Espanha, e a Itália pode ser decisiva para que a UE aprove o texto, com ou sem o apoio fiel da França.
Demandas dos agricultores
Entre as reivindicações, os agricultores pedem o fim da política de abate de vacas em resposta a dermatite nodular contagiosa, defendendo medidas de vacinação como alternativa. A polícia informou que trabalha para evitar confrontos.
A atuação policial busca manter a ordem enquanto os participantes protestam contra o acordo e pedem soluções para as questões sanitárias e de mercado que impactam o setor.
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