Bancos centrais de várias nações divulgaram uma carta conjunta na terça-feira, 13, em defesa do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, em meio a um enfrentamento público com o presidente dos EUA, Donald Trump. O documento chega em meio a críticas que questionam a independência da política monetária sob pressão política.
A manifestação ocorre após o Departamento de Justiça dos EUA abrir uma investigação criminal sobre Powell, alegando possível prestação de informações incorretas ao Congresso sobre custos de reformas no prédio do Fed. A obra, estimada em 2,5 bilhões de dólares, foi usada por aliados de Trump para atacar a autoridade da instituição.
Contexto e desdobramentos
Powell afirmou que a investigação representa retaliação por resistir a pressões para reduzir juros de forma acelerada. O presidente dos EUA negou envolvimento direto na decisão do Departamento, embora tenha intensificado críticas públicas ao Fed desde o início de seu mandato. O chefe do Fed acusa o governo de tentar dominar a política monetária por meio de intimidações.
Segundo Powell, a atuação do banco é pautada por dados econômicos e não por preferências presidenciais. Ele reforçou que decisões sobre juros devem obedecer ao estado de direito e à transparência.
Signatários da carta
- Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu
- Andrew Bailey, presidente do Banco da Inglaterra
- Erik Thedéen, presidente do Sveriges Riksbank
- Christian Kettel Thomsen, presidente do Conselho de Presidentes do Danmarks Nationalbank
- Martin Schlegel, presidente do conselho da Swiss National Bank
- Ida Wolden Bache, presidente do Norges Bank
- Michele Bullock, presidente do Banco da Austrália
- Tiff Macklem, presidente do Banco do Canadá
- Chang Yong Rhee, presidente do Banco da Coreia do Sul
- Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil
- François Villeroy de Galhau, presidente do Conselho de Administração do BIS
- Pablo Hernández de Cos, diretor-geral do BIS
A carta ressalta que a independência dos bancos centrais é essencial para a estabilidade de preços e do bem-estar dos cidadãos, mantendo o respeito ao Estado de Direito e à responsabilidade democrática. Os signatários destacam ainda a reputação de Powell como colega respeitado entre os dirigentes.
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