O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu nesta quarta-feira (4) que a guerra contra o Irã contribuiu para a derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. Apesar disso, afirmou que não mudaria sua decisão de iniciar o conflito e que a operação militar foi necessária para impedir que o país desenvolvesse uma arma nuclear.
Em conversa com jornalistas em Washington, Trump concordou parcialmente com a avaliação do vice-presidente J.D. Vance, que atribuiu o resultado eleitoral à guerra. Segundo o presidente, o conflito provocou um aumento nos preços da gasolina, o que pode ter influenciado o comportamento dos eleitores.
“Posso dizer que, no que diz respeito a essa guerra, eu não teria feito nada diferente”, declarou Trump. Ele voltou a defender a ofensiva militar e afirmou que impedir o desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã era uma medida necessária. “A questão do Irã era algo que precisávamos fazer, e continuamos a fazê-la”, disse.
A alta dos combustíveis foi um dos fatores que pesaram contra os republicanos durante a campanha. Uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada às vésperas das eleições mostrou que aproximadamente 48% dos eleitores apontaram o custo de vida como a principal questão na decisão do voto.
O levantamento também indicou resistência à operação militar: 55% dos entrevistados consideraram que a ação dos Estados Unidos não valeu seu custo, enquanto 25% avaliaram que valeu. Outros 18% disseram não ter certeza.
Com a derrota republicana e o avanço dos democratas no Congresso, Trump afirmou que pretende conversar com integrantes da oposição, mas ressaltou que poderá utilizar o poder de veto para barrar propostas das quais discordar. “Provavelmente vou me dar bem com os democratas, a menos que queiram ser destrutivos, mas nós temos poder de veto”, afirmou.
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Trump diz que não conseguiu transferir popularidade; vice faz outra análise
O presidente também voltou a afirmar que os republicanos teriam um desempenho diferente caso seu nome estivesse nas cédulas eleitorais. Para Trump, a popularidade demonstrada nos comícios não foi transferida aos candidatos do partido. “Se eu estivesse na cédula, acredito que teríamos vencido”, afirmou. Em seguida, disse que não foi possível transferir o apoio recebido durante os eventos de campanha para os demais republicanos.
“Mas eles simplesmente… não foi possível transferir esse amor. Havia tanto amor naqueles comícios, era incrível, e não conseguimos transferir esse amor para os candidatos”, declarou.
A avaliação contrasta com análise do vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance. Em uma publicação nas redes sociais sobre as eleições, ele afirmou que a participação dos eleitores republicanos não foi necessariamente o principal problema, mas a mudança de voto de parte do eleitorado que havia apoiado Trump em 2024.
Segundo ele, pesquisas identificaram quatro motivos recorrentes entre os eleitores que abandonaram os republicanos: o desejo de encerrar a guerra, a preocupação com o custo de vida e a inflação, a defesa da política de “América em Primeiro Lugar” e mudanças na relação dos Estados Unidos com Israel.
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Vance também atribuiu a derrota republicana à insatisfação dos eleitores com a guerra contra o Irã. Ele acrescentou que a mensagem econômica dos republicanos poderia ter sido mais contundente durante a campanha.
“A razão pela qual perdemos é a guerra. O próprio presidente disse isso na noite passada”, escreveu Vance. Ele defendeu que o partido reconheça o impacto do conflito no resultado eleitoral e argumentou que, mesmo para quem considera a guerra necessária, é preciso admitir o custo político da decisão.
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