O governo da Tanzânia cancelou um projeto turístico de multimilhão de dólares financiado pelo Banco Mundial, após apontadas violações de direitos humanos. O andamento do projeto foi interrompido perto do Ruaha National Park, onde comunidades locais relatam violência contínua por parte de guardas do parque. Organizações da sociedade civil dizem ainda que o governo ameaça despejar moradores.
Segundo moradores e membros do Oakland Institute, think tank com sede nos EUA, os guardas continuam a usar força desproporcional contra vilarejos e pastores. Comerciantes de terras afirmam que áreas agrícolas, antes utilizadas, ficaram fora dos limites alterados para o projeto e não podem mais ser cultivadas.
O Banco Mundial aprovou, em abril de 2025, um plano de ação de gestão (MAP) para tratar os danos apontados pelas comunidades que fizeram reclamações à Inspection Panel, órgão independente de monitoramento. Na época, o MAP indicou medidas de mitigação e mecanismos de queixa, mas dois relatos indicam mortes de moradores ligados ao caso.
Impressões sobre a implementação do MAP
O Banco informou, por meio de e-mail, que a implementação do MAP está adiantada e que um mecanismo de queixas já foi criado. O banco afirmou ter comunicado as populações locais via rádio e que há apoio psicológico e jurídico disponível, via uma ONG local. O governo da Tanzânia reiterou que não pretende reassentar comunidades no curto prazo.
Em setembro de 2025, no entanto, a presidente Samia Suluhu Hassan citou em discurso a relocação de cinco aldeias dentro do parque, algumas vinculadas aos beneficiários do MAP. O Ministério do Turismo e as autoridades locais não detalharam o cronograma dessas relocations.
Situação de alternativa de subsistência e críticas de grupos civis
Três fontes da sociedade civil consideram que nenhuma vítima recebeu ainda meios de subsistência alternativos nem participou plenamente dos processos anunciados pelo Banco Mundial e pelo governo. Pastores que pastoreiam animais em áreas tradicionais permanecem expostos a riscos como apreensão de rebanhos e tiros.
O Banco Mundial suspendeu o financiamento do projeto em abril de 2024; o governo da Tanzânia acabou cancelando o projeto posteriormente. Atualmente, existem dois programas em execução para criar oportunidades de subsistência para mais de 10.000 moradores.
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