Dois dias após o início da chuva, uma tempestade atingiu a Faixa de Gaza e inundou centenas de abrigos de deslocados, em meio a tempestade que causou a morte de pelo menos seis pessoas, segundo autoridades locais de saúde.
Duas mortes ocorreram perto da orla de Gaza City, em desabamentos de casas que abrigavam famílias deslocadas pela guerra. Um bebê de um ano morreu de frio extremo em uma tenda, em Deir Al-Balah, no centro da faixa.
Tendas foram arrancadas de suas estacas, outras ficaram atoladas em poças de lama. Moradores reestruturavam abrigos, cravando estacas e empilhando sacos de areia para evitar infiltração de água.
“Não percebemos o que acontecia até que o muro desabou, uma muralha de oito metros. O vento forte derrubou o muro sobre três tendas”, relatou Bassel Hamuda, deslocado em Gaza.
O idoso de 73 anos que vivia no local foi morto, segundo relatos. A esposa do filho e a neta dele também faleceram, completou o morador, em entrevista à Reuters.
Treze meses após o cessar-fogo, forças israelenses ordenaram a maior parte da população de Gaza a deixar áreas próximas à costa, agravando a vulnerabilidade de mais de 2 milhões de pessoas.
Situação humanitária e resposta
Dirigentes locais afirmam que dezenas de parentes se reuniram no necrotério para orações antes de cerimônias fúnebres. O governo Hamas informou que, desde o início do inverno, ao menos 31 palestinos morreram por frio ou desabamentos.
Relatórios indicam cerca de 7.000 tendas danificadas nas últimas 48 horas, com grande parte dos ocupantes sem alternativa de abrigo. Autoridades municipais citam falta de combustível e equipamentos danificados como entraves.
Na semana passada, um relatório da ONU apontou alto risco de enchentes em mais de 700 locais de deslocados, que atendem a cerca de 850.000 pessoas. Milhares já migraram para áreas menos vulneráveis.
Unidades da ONU e autoridades palestinas afirmam a necessidade de cerca de 300.000 novas tendas para atender cerca de 1,5 milhão de deslocados remanescentes. A maioria dos abrigos está inadequada.
UNRWA ressaltou que o inverno aumenta o sofrimento, com inundações, frio e estruturas danificadas elevando riscos para quem já vive em condições precárias, em meio a restrições de acesso humanitário.
O Hamas pediu que mediadores do acordo de cessar-fogo, iniciado em outubro, pressionem Israel a permitir o fluxo incondicional de ajuda, abrigos e materiais de reconstrução.
Entre na conversa da comunidade