O impacto das tarifas impostas por Donald Trump foi subestimado por o Brasil e por outros países, segundo Celso Amorim, assessor especial da Presidência e ex-chanceler. Em entrevista ao UOL News – 2ª edição, ele aponta riscos ao sistema multilateral e às regras internacionais.
Amorim alerta que o tariffário elevou a instabilidade nas relações entre blocos econômicos, especialmente nos setores de aço e alumínio. O diplomata ressalta que esse movimento pode enfraquecer instituições como a OMC e a ONU.
Ele afirma que a gravidade do episódio vai além dos efeitos setoriais para o Brasil, destacando a ideologia por trás das medidas como um ataque ao conceito de comércio multilateral. O alerta é de que o mundo não estava preparado para esse cenário.
O ex-chanceler também avalia que o desmonte do multilateralismo aumenta a incerteza global. Segundo ele, a ONU e a OMC sofrem pressões que minam negociações guiadas por regras estáveis, algo que, na visão dele, já era difícil dentro do governo.
Amorim lembra ainda que, no histórico das negociações da OMC, havia limites e regras claras, mesmo com dificuldades. O cenário atual, na leitura dele, gera dúvidas sobre como futuras situações globais serão gerenciadas.
Desmonte do multilateralismo e impacto institucional
Segundo o ex-chanceler, o enfraquecimento da ONU e da OMC torna o ambiente internacional mais incerto. Ele aponta que acordos baseados em regras ficam mais frágeis, o que complica negociações entre países.
Para Amorim, o acesso a consensos é cada vez mais desafiador e o desenho atual do comércio mundial não se sustenta apenas com potências isoladas. A análise visa mostrar a amplitude das mudanças em curso.
Sem perspectiva de mediação entre EUA e UE
Em momento da entrevista, Celso Amorim afirma não vislumbrar uma mediação viável entre Estados Unidos e União Europeia. Segundo ele, a relação entre as duas potências tende a buscar ajustes de mercado por meio de outros caminhos, o que envolve reposicionamentos estratégicos.
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