Donald Trump criticou a atuação de aliados na campanha do Afeganistão, alegando que tropas de Nato ficaram “um pouco recuadas” do front. A declaração foi feita durante entrevista à Fox News e questionou se a Nato agiria de forma firme em uma eventual defesa dos EUA.
Trata-se de uma acusação recebida com veemente rejeição na Austrália. A Liga Returned and Services League (RSL), a maior associação de veteranos do país, afirmou que a fala é inadequada e desrespeitosa com milhares de veteranos. A presidente nacional da RSL, Peter Tinley, disse que a grande parcela dos 630 mil veteranos fica indignada com o comentário.
A campanha no Afeganistão envolveu quase 40 mil profissionais australianos, com 47 mortes e 261 feridos. Tinley relembrou que a participação foi liderada por forças australianas e citou a atuação de tropas, marinheiros e tripulações aéreas ao longo dos anos de combate.
Reação política e externa
Tinley ressaltou que as famílias dos que morreram ficariam ofendidas ao ver o sacrifício desvalorizado. O exército australiano, por meio de um porta-voz, afirmou que as forças apoiaram a defesa conjunta e que a contribuição australiana foi significativa. Observadores destacaram a importância de aliados para dissuasão regional.
Jennifer Parker, analista do Lowy Institute, classificou a declaração como desrespeitosa para com os militares aliados e suas famílias. Ela disse que o discurso não reflete os valores das forças americanas nem o comprometimento com a cooperação internacional.
Tinley sugeriu que o premiê Anthony Albanese peça esclarecimentos formais a Washington sobre o significado das falas de Trump para a cooperação entre Austrália e EUA no âmbito do Aukus. Ele também recomendou apoio psicológico a veteranos afetados pela notícia.
Contato com autoridades
Em resposta, o governo australiano afirmou que as forças contribuíram de forma relevante no Afeganistão e que a coragem dos militares é reconhecida. Ofereceu ainda apoio institucional aos veteranos e suas famílias diante da controvérsia.
Os escritórios de Albanese e de Matt Keogh foram contatados para comentar o episódio e esclarecer eventuais impactos na relação bilateral com os EUA. O tema segue em pauta entre órgãos de defesa e autoridades políticas.
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