O presidente da COP 30, André Corrêa do Lago, reconheceu que os resultados da conferência do clima realizada em Belém, em novembro do ano passado, ficaram aquém do esperado por cientistas e pela sociedade. Apesar de avanços diplomáticos, o desfecho manteve o padrão de edições anteriores.
O contexto geopolítico global foi apontado como principal entrave a decisões mais ambiciosas e à obtenção de consensos considerados essenciais diante da crise climática. Lago enfatizou que houve progresso diplomático, mas não o suficiente para atender às expectativas.
O embaixador informou que seguirá na presidência da COP até a COP 31, prevista para novembro em Antália, na Turquia. Também mencionou o andamento de um documento sobre o fim do uso de combustíveis fósseis, tema sensível que ficou fora do texto final da COP 30.
Desafios e caminhos para a COP 31
Na visão de Lago, o multilateralismo continua sendo base das negociações, mesmo com dificuldades para chegar a decisões unânimes. Ele confirmou participação em uma reunião na Turquia em fevereiro, ao lado da CEO da COP 30, Ana Toni, como parte da preparação para a próxima conferência.
A COP 31 apresentará a divisão de responsabilidades entre o país-sede e o país responsável pelas negociações, com a Austrália no comando. A presidência brasileira diz que a complexidade está na necessidade de aprovação de todos os países, o que, muitas vezes, reduz a ambição do texto final.
Para contornar esse cenário, a COP 30 defende um modelo de multilateralismo em dois níveis, com coalizões entre grupos de países antes da busca por consenso total. Lago afirmou que mais países devem se unir às coalizões, eventualemente formando consensos.
Além disso, a agenda visa avançar nos chamados mapas do caminho para o fim do desmatamento ilegal e para o cumprimento das metas de financiamento climático definidas na COP 29, realizada em Baku, em 2024.
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