Tirah Valley, nordeste do Paquistão – Ontem, moradores da região montanhosa no noroeste do país relataram que milhares de pessoas deixaram suas casas nas últimas semanas. A evacuação foi incentivada por avisos emitidos de mesquitas, pedindo que famílias se deslocassem diante de alegadas operações militares contra militantes islamistas.
Segundo relatos, residentes da Tirah Valley, em Khyber Pakhtunkhwa, atravessaram a neve e o frio para cidades vizinhas. O comércio local, já afetado pelo deslocamento, recebeu famílias em Bara, a cerca de 71 km da região, onde há registro de novas aberturas de abrigos e cadastros para assistência.
Autoridades locais não divulgaram uma evacuação oficial nem informaram sobre qualquer operação planejada. Um ministro paquistanês desmentiu, na terça-feira, a existência de operação em Tirah, classificando a migração como um movimento sazonal provocada pelo inverno rigoroso.
Fontes militares com conhecimento do assunto afirmam que a relocação ocorreu após meses de consultas entre líderes tribais, autoridades distritais e setores de segurança. Elas afirmam que civis foram orientados a sair temporariamente para reduzir riscos, durante operações potencialmente baseadas em inteligência.
O canal de imprensa militar, o interiorpaquistanês e o governo provincial de Khyber Pakhtunkhwa não comentaram o tema ao longo da semana. Não houve confirmação sobre o tamanho exato do afastamento nem sobre cronogramas de retorno.
Moradores entrevistados destacaram que a migração não seria motivada apenas pelo frio. Um comerciante afirmou que a decisão foi tomada após anúncios em mesquitas, enquanto outros moradores relatam dificuldades logísticas e escassez de alimentos durante o deslocamento.
A retirada ganhou relevância pública após explosão em setembro passado em local suspeito de fabricação de explosivos na Tirah, que reacendeu controvérsias sobre a presença de civis entre militantes e o veredito de autoridades locais sobre vítimas.
Abdur Rahim, morador que deixou a vila, disse que a viagem foi marcada por nevascas frequentes, longas filas para cadastro e incerteza sobre o tempo de deslocamento. Em Bara, centenas aguardavam atendimento em escolas governamentais.
Abdul Azeem, outro deslocado, relatou dias de espera, deslocamentos forçados e relatos de crianças adoecidas durante o trajeto. Ele mencionou ainda dificuldades logísticas e a demora na prestação de ajuda.
Enquanto o governo resguarda silêncio oficial, a situação continua sob escrutínio. Com a região sendo área de alta tensão, autoridades locais permanecem em estado de alerta para possíveis novos desdobramentos.
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