Em Sebastia, no coração da Cisjordânia, autoridades israelenses anunciaram a expropriação de 182 hectares do sítio arqueológico próximo à cidade. A medida, divulgada em novembro, envolve todo o complexo histórico ao lado do centro da vila e inclui planos de infraestrutura que podem separar a área do restante da localidade.
O projeto prevê um centro de visitantes, um estacionamento e uma cerca que isolaria as ruínas do restante do território habitado. A expropriação é a maior já registrada para fins arqueológicos desde a ocupação da West Bank, em 1967, segundo moradores locais.
A população local, de cerca de 3,5 mil pessoas, depende do turismo ligado ao sítio e das oliveiras para a economia. A notícia gerou apreensão entre residentes, que veem o plano como restrição de acesso às fontes de sustento e aos sítios históricos.
Reação local e contexto
Críticos afirmam que a medida é parte de uma expansão de assentamentos na West Bank, promovida pela coalizão de governo de Israel. Segundo eles, a justificativa histórica é usada de forma pretextual para ampliar o controle territorial.
A imprensa israelense aponta Sebastia como possível capital de Samaria, uma das entidades históricas associadas a territórios bíblicos. O projeto de reurbanização incluiu a construção de uma nova via de acesso que dispensaria a passagem pela vila, facilitando a entrada de turistas vindos de Israel.
Especialistas e organizações de defesa do patrimônio denunciam a instrumentalização da arqueologia. Alegam que ações assim servem para favorecer interesses de anexação territorial, acima da preservação compartilhada do patrimônio.
A área foi identificada por autoridades como parte do que os defensores descrevem como o parque nacional Shomron. Organizações locais destacam que o sítio carrega camadas de ocupação que vão desde o período israelita antigo até a era otomana, passando por Bizâncio e Higiene era romana.
Entre na conversa da comunidade