Saudi Arabia intensifica apoio financeiro e diplomático no Yemen após retirar a UAE do processo político local. O objetivo é consolidar influência e reorganizar alianças internas, dizem fontes ouvidas pela Reuters.
O governo saudita planeja aportar quase US$ 3 bilhões neste ano para salários de forças yemenitas e servidores públicos, incluindo cerca de US$ 1 bilhão destinados aos combatentes do Sul que antes eram pagos pela Abu Dhabi. A mensagem é de cooperação para manter a governança.
Segundo autoridades, o pacote facilitaria a reorganização das facções armadas sob autoridade do Estado e pressionaria os Houthis a dialogar. Riyadh busca também fortalecer as forças do governo reconhecido internacionalmente, que opera no exílio.
Além de pagamentos, a Arábia Saudita tem sinalizado abertura política a integrantes separatistas do Sul, sugerindo que a criação de um estado separado pode ocorrer após a resolução do conflito com os Houthis. As propostas são vistas como forma de coagir as partes a negociar.
O objetivo é unificar as facções do sul em uma estrutura militar liderada pela Arábia e, assim, evitar uma fragmentação estatal que possa comprometer a estabilidade regional. Barrar avanços do movimento separatista é parte da estratégia.
Fontes dizem ainda que a Arabia Saudita já pagou salários de milhares de trabalhadores do setor público e de combatentes alinhados aos interesses de Riad, com um orçamento total que pode superar US$ 4 bilhões neste ano.
Em paralelo, Riyadh busca reduzir a influência dos Houthis, que controlam parte do território yemenita, fortalecendo a posição do governo reconhecido internacionalmente para eventuais negociações ou ações militares, se necessário.
A agenda também contempla ações diplomáticas em outras frentes regionais, como Síria e Sudão, destacando uma mudança de foco do plano doméstico da Vision 2030 para ações externas de segurança e influência regional.
Especialistas afirmam que o esforço depende de recursos estáveis, diante de preços baixos do petróleo e de compromissos internos. Instabilidade no Yemen pode afetar investimentos e turismo na Arábia Saudita, segundo analistas.
Entidades internacionais veem a movimentação como tentativa de assegurar uma solução controlada, com participação de várias facções rivais. A duração e o sucesso dependem do alinhamento entre ofertas de apoio financeiro, político e militar.
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