O presidente da França, Emmanuel Macron, condenou neste domingo (18) a violência registrada durante protestos contra o custo de vida em diferentes regiões do país. Em Paris, policiais entraram em confronto com manifestantes, e lojas foram saqueadas.
Quase 2.400 pessoas foram presas no sábado (17), em episódios de violência urbana considerados entre os mais graves registrados na França nos últimos anos. Segundo o Ministério do Interior, quase mil quase mil integrantes das forças de segurança ficaram feridos, sete deles em estado grave.
Em pronunciamento à nação, Macron afirmou que o governo vai reforçar a segurança e avaliar a atuação das forças policiais. O presidente, no entanto, não anunciou medidas mais drásticas, como a decretação de estado de emergência ou a imposição de toque de recolher.
“Esta noite, todos sentimos raiva e vergonha”, declarou Macron.
Ele diferenciou os manifestantes com reivindicações legítimas daqueles que, segundo ele, destruíram, depredaram e saquearam estabelecimentos.
“Quem destruiu terá de pagar”, afirmou. O presidente prometeu uma resposta firme contra o que chamou de grupos da extrema esquerda, acompanhados por pessoas envolvidas em atos criminosos, que teriam provocado violência nas cidades.
Novos confrontos em Paris e Lyon
Neste domingo, a polícia usou gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral contra centenas de pessoas reunidas em uma praça de Paris. A manifestação havia sido convocada nas redes sociais, mas não tinha autorização das autoridades.
Manifestantes atiraram garrafas e pedras contra policiais, que realizaram prisões. Lojas também foram saqueadas nas proximidades da Place de la République. A tropa de choque foi mobilizada pelo segundo dia consecutivo.
Também houve confrontos em Lyon, no sudeste da França. A polícia impediu que jovens quebrassem as vitrines de uma loja de roupas de luxo. No sábado (17), um posto de informações turísticas no centro da cidade também foi incendiado durante os protestos.
Em Limoges, um incêndio destruiu a prefeitura do século 19. Segundo o representante do governo na região, Maurice Barate, o fogo foi provocado intencionalmente.
Em Mulhouse, uma jovem de 17 anos perdeu um olho, segundo o Ministério Público, e, em Saint-Étienne, um adolescente de 17 anos perdeu a mão direita após a explosão de uma granada usada para dispersar multidões.
Macron promete apuração da atuação policial
Macron afirmou que autoridades nacionais vão trabalhar com prefeitos para proteger cidades, prédios públicos e estabelecimentos comerciais. Ele também prometeu apoio aos comerciantes afetados pela violência.
O presidente garantiu transparência na avaliação da resposta das forças de segurança, após críticas de que o planejamento policial para os protestos teria sido insuficiente.
Parte da oposição já pediu a demissão do ministro do Interior, Laurent Nuñez. Macron disse ter solicitado ao ministro uma avaliação dos acontecimentos, especialmente sobre a coleta de informações e a capacidade de antecipar os episódios de violência. O presidente afirmou esperar respostas claras das autoridades.
Líderes políticos reagem à fala de Macron
Os protestos ocorrem a poucos meses da eleição presidencial francesa. Macron não pode disputar um novo mandato, enquanto Marine Le Pen, candidata do partido de extrema direita Reunião Nacional, aparece em posição de destaque nas pesquisas eleitorais.
Le Pen afirmou que os episódios mostram que o governo Macron está “esgotado e desorientado”. Jordan Bardella, seu principal aliado político, classificou o pronunciamento presidencial como “lamentável” e disse que as autoridades já não têm mais respostas para apresentar à população.
Jean-Luc Mélenchon, líder do partido de esquerda França Insubmissa e também candidato à Presidência, pediu que Macron responda às reivindicações dos manifestantes. Segundo ele, os jovens precisam que os protestos tenham um desfecho positivo.
Macron afirmou que a França merece uma campanha presidencial marcada pelo debate político, e não pela violência nas ruas.
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