O sistema elétrico de Cuba sofreu um novo apagão parcial nesta quarta-feira (4), afetando cerca de 3,4 milhões de pessoas em quatro províncias do Leste: Holguín, Granma, Santiago de Cuba e Guantánamo. A interrupção teve início com uma linha de 220 kV na província de Holguín, que desligou de forma repentina. A falha levou ao fechamento da usina termoelétrica Felton, a maior geradora da região, além de outra central e de uma subestação na mesma região.
Este é o segundo apagão parcial do sistema nacional em pouco mais de quatro meses e ocorre em meio a uma grave crise energética. O embargo petrolífero dos Estados Unidos agrava a situação, ampliando preocupações com o abastecimento. A fornecedora estatal Unión Eléctrica informou que apura as causas do incidente.
Contexto da crise
Desde meados de 2024 Cuba enfrenta frequentes apagões, com falhas que superam 20 horas diárias em várias cidades. Em 31 de janeiro houve o maior apagão desde o início da divulgação de dados energéticos, deixando 63% do país sem luz simultaneamente. Sete das dezesseis centrais termelétricas estão fora de operação por avarias ou manutenção, incluindo duas entre as três maiores.
Especialistas independentes apontam subfinanciamento crônico do setor como parte do problema. Estimativas indicam entre US$ 8 milhões e US$ 10 milhões necessários para estabilizar a matriz energética. Os apagões impactam a economia, que já recuou significativamente nos últimos anos, e alimentam protestos.
Contexto externo e petróleo
Ontem, o Porta-voz do secretário-geral da ONU afirmou que António Guterres está preocupado com a situação humanitária em Cuba, que pode se agravar sem suprimento de petróleo. O governo cubano enfrenta a suspensão de envios de petróleo venezuelano, após ações dos EUA ligadas a questões políticas. Washington também autorizou tarifas para nações que vendam petróleo a Havana, embora tenha sinalizado eventual diálogo com o governo cubano.
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