Parlamentares do Chile pediram a abertura de uma investigação sobre o projeto Chile-China Express, que pretende ligar Valparaíso a Hong Kong via cabo submarino de fibra óptica. A iniciativa é conduzida pela Inchcape Shipping Services (ISS) com apoio do governo do presidente Gabriel Boric, que deixa o poder em março.
A principal preocupação é a falta de transparência. Registros da indústria apontam o projeto como “em desenvolvimento” sem detalhes públicos sobre financiamento, consórcio envolvido e termos contratuais. Parlamentares apontam ausência de cronograma e orçamento oficial.
Ao comparar com o cabo Humboldt, que teve divulgação de prazos e recursos, o Chile-China Express teria avançado sem comunicação clara do governo. A discussão envolve também a legislação chinesa de cibersegurança e inteligência, que obriga cooperação de empresas com autoridades de Pequim.
Parte do tráfego pode passar por países da região, incluindo Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Peru e Equador. Com isso, o tema é visto como de alcance regional, não apenas doméstico, segundo os críticos.
O senador Alejandro Kusanovic classifica o projeto como “incômodo” e defende que o próximo governo reveja a iniciativa com urgência. Cabos submarinos são vistos como ativos estratégicos, dependentes de quem controla a infraestrutura.
Na Câmara, o deputado Hotuiti Teao pediu sessão secreta da Comissão de Defesa Nacional para analisar os antecedentes. Ele afirma que é necessário envolver órgãos de telecomunicações e segurança, com esclarecimentos sobre critérios técnicos e proteção cibernética.
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